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	<title>ESQUIZOTRANS</title>
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		<title>Posporno por Fabiane Borges</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Dec 2011 16:23:27 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Pos porno   (pode ver diretamente no link da Revista Na Borda &#8211; http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/ É um movimento sexual/social que combate, convoca e comove ao mesmo tempo. Como tudo que existe tem mundo, não seria diferente com o pósporno, tem mundo. Seus &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/12/25/posporno-por-fabiane-borges/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=520&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pos porno   (pode ver diretamente no link da Revista Na Borda &#8211; <a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/">http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/</a><br />
</strong></p>
<p>É um movimento sexual/social que combate, convoca e comove ao mesmo tempo. Como tudo que existe tem mundo, não seria diferente com o pósporno, tem mundo. Seus circuitos, seus sinais, seus entraves, e há muitos entraves, desde perseguição na internet até prisão, problemas com justiça. Mas o movimento se movimenta, motivado por vibradores, experiências exóticas, tóxicas, as vezes bem comuns, românticas. É que o movimento tolhe, mas também liberta. O pósporno libera espaço nos corpos e nos modos de desejar. É como uma confraria, uma pequena horda missionária destinada à experimentação e a narrativa, mas com potente carga virótica. O pósporno tem muitos antídotos às políticas dos desejos sexuais instituídas. Suas fórmulas vêm da invenção constante. É um movimento pragmático. Vai do ecosexo ao tecnosexo, facilitando a locomoção do olhar. Pra onde teus olhos te levam? É nessa estrutura que o pósporno mexe, ajuda teus olhos a desprogramar teu programa sexual coorporativo.</p>
<p>Pósporno é um dos nomes que identifica este movimento sexual/social que tenta criar alternativas para o padrão de pornografia vigente. Mas isso não é um consenso, tem muitos outros modos de reconhecê-lo, e pode também ser pensado como um movimento ontológico de manifestação da sexualidade. Não há consenso nem identidade fixa no movimento. As feministas mais radicais acreditam que o pósporno é um movimento essencialmente feminista, já que são as mulheres as que mais militam na área. Segundo elas, os homens estão mais bem servidos com a cultura sexual vigente, mas as mulheres ainda são tidas como corpos que servem à anatomia masculina, nem que seja ao olhar do macho, como no caso dos filmes lésbicos da indústria pornográfica, que mostram o tesão das lésbicas correspondendo ao padrão de desejo masculino. O manifesto contra-sexual de Beatriz Preciado<a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/#1" target="_blank"><strong>[1]</strong> </a>enfatiza bem essa questão, atribuindo à palavra “sexual” o sinônimo de heterosexualidade patriarcal, e inscrevendo a necessidade de um rompimento signico  nesse desejo “sexual” da cultura machista sustentada por homens e mulheres, o que explica o nome: Manifesto Contra-sexual!.</p>
<p>Pósporno então se refere a um movimento de intervenção e tensionamento nos valores da cultura pornográfica. “Se não gostas da pornografia que existe, faz pornografia tu mesmo. Reinventa”. Mais ou menos nesses termos que Annie Sprinkle<a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/#2" target="_blank"><strong>[2]</strong></a> tomou a dianteira dos seus trabalhos como atriz porno e começou dirigir e produzir filmes alternativos dentro do circuito, não sozinha, mas com várias pessoas que pensavam a mesma coisa, que o tesão feminino não estava representado nos filmes pornográficos, nem uma série de outras variedades. Ela é considerada a mãe da pós-pornografia, a criadora do conceito e ainda a musa de toda essa nova geração. Com seu estilo divertido e carinhoso, ganhou o coração das transfeministas, pornoterroristas e pós-pornográficas. Seus filmes misturam sensualidade com consciência política, como o filme “A Female-To-Male Transexual Love Story” (1989), onde apresenta de forma até didática sua relação com uma transexual recém operada, dando dados da sua operação, mostrando seu sofrimento, seus desejos, os laudos médicos e seu prazer. Também é respeitada por ter levado a diante a conversa entre pornografia e arte contemporânea, promovendo nos mais diversos lugares do mundo polêmicas exibições em centros de arte, universidades e galerias, que ampliam a noção de corpo, prazer e sexo. Hoje em dia ela esta com a proposta de ecosexo<a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/#3" target="_blank"><strong>[3]</strong></a> (tesão pelo planeta, pelo cosmos, ecologia sexual) que tambem é uma grande inspiração para todo movimento pósporno.<br />
<a href="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_01.jpg" target="_blank"><img title="posporn_01" src="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_01-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_02.jpg" target="_blank"><img title="posporn_02" src="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_02-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_03.jpg" target="_blank"><img title="posporn_03" src="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_03-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_04.jpg" target="_blank"><img title="posporn_04" src="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_04-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p>A transformação da sexualidade em uma criação artística<a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/#4" target="_blank"><strong>[4]</strong></a> faz parte das práticas do movimento pósporno, assim como a intensificação da relação corpo/máquina, tecnologia/cotidiano, privacidade e espaço público. Se um dos vetores do movimento é essencialmente político, pode-se dizer que outro vetor é essencialmente experimental. Reivindicar o corpo como experiência e não como propriedade. Nesse contexto entram em cena os mais diferentes tipos de alianças: práticas sadomasoquistas, bodymodification, desprogramação de gênero, tráfico de hormônios, produção audiovisual constante, publicação de livros e revistas, fanzines, shows performáticos, saraus de música e poesia, mostras de cinema. O pósporno é um movimento insurgente, uma utopia como diz Beatriz Preciado<a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/#5" target="_blank"><strong>[5]</strong></a>. Uma utopia barulhenta, que cresce na medida que cresce o acesso a produção e difusão de midias nesses últimos 30 anos. Mesmo que nos anos 60-70 já tivessem produções feministas e engajadas na liberação dos padrões masculinos de atuação nos filmes pornográficos, é com as redes de internet e com acesso a câmeras de vídeo e computadores para edição, que o movimento cresce, por possibilitar a manifestação da diversidade sexual.</p>
<p>O encantamento do movimento tem a ver com o encanto que temos pela liberdade. Não se trata só de cada um assumir seu próprio desejo, mas de inventar outros desejos, recriá-los, produzir outros valores sobre eles. Deslocar os signos “sexuais” para novas variações, tensioná-los, liberá-los de suas armadilhas. Reiventar o desejo e o prazer. Reinventar o corpo. Talvez seja essa a utopia do pósporno, o corpo livre! O que lhe faz estar próximo a todas as outras lutas por liberdade. Ao mesmo tempo, para poder manifestar-se enquanto algo significativo dentro da sociedade, precisa fazer aliancas com outras culturas de corpo já existentes, incluindo aí arquitetura. Sim, arquitetura, que é uma das poderosas máquinas de construção do imaginário sexual. Vamos para cama! Essa simples conjunção de palavras denota a monstruosa redução do sexo a uma arquitetura compartimentada e privada, que associa o desejo erótico diretamente a noite, ao quarto, por consequência à propriedade. São muitos os entrelaçamentos políticos e sociais que um movimento sexual como o pósporno abarca, o que demonstra a impossibilidade de reduzi-lo somente a pornografia. Ele é uma engrenagem expandida de análise e produção de cultura e natureza, engrenagem que permite os mais variados tipos de acesso, inclusive o acesso a outras demandas eroticas para alem do humano, do antropocentrismo, ou ainda, do antroposexocentrismo, que é a nocao de que prazer, desejo e relacao só é produzida entre humanos, ideia essa que cria imenso gap entre humanos e maquinas por exemplo, ou outras naturezas.</p>
<p>A literatura pósporno tem um estilo autobiográfico e autoficcional. Tem a noção de que o íntimo é político. Tudo que é íntimo interessa porque é exatamente aí que o poder crava seus tentáculos, sendo aí tambem que ele é gerado, onde ele se cria. A escrita Pósporno cruza histórias pessoais com discussões políticas, e essa metodologia se repete como estilo literário, como estética de movimento. Livros como “Postporno era eso” de Maria Llopis, “Devenir Perra” de Itziar Ziga, “Teoria King Kong” de Virginie Despentes, “Testo yonqui” de Beatriz Preciado, esta última considerada uma inspiração teórica do movimento, vão nesse sentido, de trazer a autobiografia e ainda a autoficção como uma militância política. É uma revolução micropolítica, absolutamente estética que tem por objetivo mudar a visão sobre a história do corpo. O estilo literário do movimento pósporno tensiona esse espaço íntimo com uma honestidade angustiante, já que não aponta a grande saída, mas fica remexendo os micropontos, dissecando-os, produzindo pensamento sobre a cena mais cotidiana e tida como dada, como as fantasias sexuais de penetração ou cenas que provocam a masturbação, o sentimento de culpa por se ter tendências dominadoras ou submissas no sexo, adicção a hormônios sexuais, relação afetiva com o dildo, ou ainda prostituição, estupro, rape/revenge (vingança de estupro), etc. O desejo sexual é o ninho da religião. É nessa espacialidade íntima que a neurose, a culpa, o sofrimento são germinados. O pósporno tenta arejar esses espaços para que sejam fortalecidos com outra ética, com menos sofrimento aos gêneros não padronizados. Se para os homens heterossexuais que correspondem ao padrão estético, intelectual e econômico construído pela indústria da uniformidade, já não é fácil ter sua vida sexual feliz e plena, o que dizer sobre os que não correspondem a esse padrão, os fricks em geral? Os esquisitos, os sem perna, os alejados, os velhos?  O desejo é extremamente político, assim como o amor. É nesse ponto que o Pósporno se diferencia da pornografia oficial, porque parte de um princípio ético diferente, que não é o consumo dos corpos, nem a busca do gozo a qualquer custo, mas a construção de novas possibilidades de amor e desejo. Se engana quem pensa que por esta razão a produção experimental e audiovisual do pósporno é delicada e harmoniosa, como é possível verificar em seus livros, filmes e performances, a sexualidade pode ser manifesta de forma até mais violenta do que na indústria pornográfica ou mais radical, com a diferença que muda completamente a perspectiva do olhar, o movimento da câmera é feminista. O movimento é feito de um feminismo pungente, agerrido, prático, tem como função combater a percepção sobre a sexualidade, seus papéis, suas narrativas obesas, determinadas por um vício insuficiente. A insuficiência alimenta a máquina pornográfica, de forma prevista a faz mover-se, mas não satisfaz todos os lados.</p>
<p>Quando se vai entrando no mundo da pornografia, vão aparecendo uma enorme variedade de produções. Muitos desses fetiches não são tão fáceis de encontrar na pornografia mais normal, por não terem público suficiente e serem consideradas menos aceitáveis ou menos excitáveis. O pósporno atua dentro dessas práticas, o que denota o vínculo estreito do pósporno com a pornografia. Estou falando de praticas sexuais como fisting (inserir as mãos na vagina ou no reto), feeting (inserir os pés na vagina ou no reto), BDSM (Bondage – ataduras, dominação, sadismo e masoquismo), public desgrace (humilhação sexual em público), wiredpussy (corpos e órgãos sexuais conectados a cabos de eletricidade), fucking machines (sexo entre humano e máquinas), waterbondage (imobilizar com afogamento), sexo entre velhos, sexo com plantas, com cadáveres de animais, etc. É comum que o pósporno atue em um segmento que dentro da pornografia é considerado extremo. O que os diferencia então?<br />
<a href="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_05.jpg" target="_blank"><img title="posporn_05" src="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_05-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_06.jpg" target="_blank"><img title="posporn_06" src="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_06-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_07.jpg" target="_blank"><img title="posporn_07" src="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_07-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a href="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_08.jpg" target="_blank"><img title="posporn_08" src="http://naborda.com.br/wp-content/uploads/2011/11/posporn_08-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p>O pósporno é muito mais precário. Evidentemente que a indústria pornográfica também esta sendo transformada pela revolução tecnológica, e também tem uma história inicial de precariedade, mas o pósporno surge da precariedade, não só da pobreza econômica, da dificuldade de acesso aos meios de produção ou dos investimentos financeiros externos, mas também o conteúdo com o qual trabalha é precário, o corpo martirizado, o contrário do macho dominante, as fêmeas gordas, os machos de falo anomalos, as lésbicas, as libidos escusas, os corpos considerados inferiores, os desejos considerados pobres, as fissuras perdidas. Essa é a precariedade que o pósporno quer dar visibilidade, trazer luz, não como desejo exótico, mas desejo mesmo. O pósporno tem que forjar diariamente os espaços para suas experiências e manifestações, espaços públicos, praças, teatros, ocupações, festas, raves, casa das pessoas, galpões, centros abandonados, etc. São nesses espaços que os corpos/desejos ganham visibilidade, e constroem alternativas a vida sexual dominante.</p>
<p>Diana J. Torres faz um elogio a Belladonna<a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/#6" target="_blank"><strong>[6]</strong></a> em seu livro Pornoterrorismo<a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/#7" target="_blank"><strong>[7]</strong></a>, dizendo que ao contrário de seus grupos de pósporno, que se encontram a margem das grandes produções de cultura e valores, e que não modificam o desejo da grande massa, ela, Belladonna, consegue atuar dentro do mercado da pornografia, invocando novos desejos desde ali onde a crítica e o vício são mais prementes. Ela diz “<em>(…) penetraciones anales a biohombres, povazos lesbicos autenticos, desgenitalizacion, mulheres empoderadas com dildos descomunales… Por favor, Belladonna ‘es como un mesias, esta abriendo camino a lo que vendra, ye lo hace desde la matriz, no desde los margenes como hacemos nosotrxs</em>”. Já sobre o Posporno em Barcelona, Diana fala que “<em>é um milagre, uma coincidencia maravilhosa, como o círculo dadaísta em paris</em><a href="http://naborda.com.br/2011/texto/posporno/#8" target="_blank"><strong>[8]</strong></a>”.</p>
<p style="text-align:right;">Seguindo o raciocinio de Diana, a gente percebe que primeiro, ela pensa o movimento pósporno como um movimento de margem (precário) que não consegue transformar o desejo humano em grande escala (ainda); segundo, que é um movimento de vanguarda como o dadaísmo, que se organiza em torno de uma estética em comum e por sistematicas desconstrução do sistema. Controversas a parte, o que chama atenção nessa idéia de precariedade e vanguarda é a radicalidade revolucionária de um circuito erótico e violento, que não se preocupa somente em ser aceito como modelo estético, mas se quer amplificador de praticas muitas vezes imperceptíveis ou pior, ordinariamente sabotadas e reprimidas.</p>
<p>Certamente a ontologia do desejo pósporno está sendo inventada, não esta estacada em algum lugar no antes do humano. Assim como o dadaísmo não é considerado um movimento que importa somente ao circuito artístico, a precariedade vanguardista do pósporno também não se limita a um ativismo sexual espanhol, ele está aí pra enfrentar a cultura inteira, a natureza inteira. Se engana quem cansou do termo vanguarda. Geralmente são os que mais se fodem, para tentar cravar uma idéia/comportamento no mundo, e ainda existem, aos cantaros, sobrevivem de network, conceito, escandalo, certa violencia, exotismo…</p>
<p>Pra terminar, o pósporno foi considerado nesse texto um movimento sexual/social movido por  feminismo e precariedade, uma utopia de liberdade, um movimento de vanguarda estético e experimental. Mas isso e só um ponto de vista de quem recém está chegando no assunto, tem coisas muito mais interessantes pra pensar sobre isso, uma delas por exemplo é retirar do centro da questao sexual o humano.  Há mais coisas entre as sexualidades do que o antropocentrismo admite, mas isso é outro texto.</p>
<p>Referencias:<br />
<a href="http://anniesprinkle.org/" target="_blank">http://anniesprinkle.org/</a><br />
<a href="http://www.brucelabruce.com/" target="_blank">http://www.brucelabruce.com/</a><br />
<a href="http://www.brucelabruce.com/" target="_blank">http://rbcongeladadeuva.blogspot.com/</a><br />
<a href="http://www.dellagracevolcano.com/" target="_blank">http://www.dellagracevolcano.com/</a><br />
<a href="http://www.disidenciasexual.cl/" target="_blank">http://www.disidenciasexual.cl/</a><br />
<a href="http://elizabethneira.blogspot.com/" target="_blank">http://elizabethneira.blogspot.com/</a><br />
<a href="http://girlswholikeporno.com/" target="_blank">http://girlswholikeporno.com/</a><br />
<a href="http://www.postop.es/indice.php#item1" target="_blank">http://www.postop.es/indice.php#item1</a><br />
<a href="http://www.ronathey.com/" target="_blank">http://www.ronathey.com/</a><br />
<a href="http://subporno.blogspot.com/" target="_blank">http://subporno.blogspot.com/</a><br />
etc, etc…</p>
<p>Fabiane Morais Borges – ensaísta, psicóloga, gosta de fazer workshops de máscaras e anda as voltas com tecnoxamanismo. (catadores@gmail.com – <a href="http://catahistorias.wordpress.com/" target="_blank">http://catahistorias.wordpress.com</a> )</p>
<p>imagens: <a href="http://laquimerarosa.blogspot.com/search/label/foto" target="_blank">Quimera Rosa</a></p>
<p>notas:</p>
<p><a name="1"></a>[1] Beatriz Preciado, Manifesto Contra-sexual/ 2008. Ed. Espasa (edição espanhola)</p>
<p><a name="2"></a>[2] Annie Sprinkle começou como atriz de cinema porno, depois se tornou diretora, depois foi se tornando artista multimidia , hoje em dia é considerada uma referência para todos movimentos de arte, feminismo e sexualidade. <a href="http://anniesprinkle.org/">http://anniesprinkle.org/</a></p>
<p><a name="3"></a>[3] Ecosexo –  é como se chama os últimos trabalhos de Annie Sprinkle e sua parceira  Beth Stephens, que fazem bodas pelo mundo afora com elementos da natureza como carvão, agua, oxigênio, etc. A ideia é ter uma relação maiserótica com a terra, tratá-la como amante e não como mãe. <a href="http://www.elpais.com/articulo/Tendencias/ecosexo/obra/arte/elpepitdc/20110630elpepitdc_1/Tes">http://www.elpais.com/articulo/Tendencias/ecosexo/obra/arte/elpepitdc/20110630elpepitdc_1/Tes</a></p>
<p><a name="4"></a>[4] Filme de Lucía Egaña Rojas “ Mi Sexualidad Es Una Creacion Artistica/ 2011, España, (dir.), 46 minutos. -  Aqui esta seu blog:  <a href="http://www.blog.lucysombra.org/" target="_blank">http://www.blog.lucysombra.org/</a></p>
<p><a name="5"></a>[5] Livro de Beatriz Preciado, Pornotopia – Editorial Anagrama S.A Espanha /2010</p>
<p><a name="6"></a>[6] Atriz de cinema porno, considerada ousada por realizar uma enorme diversidade de estilos sexuais. Aqui esta o blog dela:  <a href="http://enterbelladonna.com/" target="_blank">http://enterbelladonna.com</a></p>
<p><a name="7"></a>[7] Livro de Diana J. Torres “Pornoterrorismo” Editora Txlaparta S.L / Espanha, 2011 – Aqui esta seu blog: <a href="http://pornoterrorismo.com/" target="_blank">http://pornoterrorismo.com/</a></p>
<p><a name="8"></a>[8] idem</p>
<h3 id="comments-title"></h3>
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		<title>Depois que a terra carcomer a tua língua</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 23:26:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um conto esquizotrans para as datas devotas. Talvez apareça no Breviário de Megalomania. Depois que a terra carcomer a tua lingua &#160; Os pes encabulados, surda, os dentes pretos de fumaça de carros, de todos os cigarros e um punhado &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/12/19/depois-que-a-terra-carcomer-a-tua-lingua/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=518&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um conto esquizotrans para as datas devotas. Talvez apareça no Breviário de Megalomania.</p>
<p align="CENTER"><strong>Depois que a terra carcomer a tua lingua</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Os pes encabulados, surda, os dentes pretos de fumaça de carros, de todos os cigarros e um punhado de submissão, de falta de gozo, de barriga doída de lombriga. Caspas e pétalas de flores cometendo o brilho do seu cabelo já ralo. Intocável. Desde pequena, intocável. E desvanescida. Vinda de casta derradeira, um fruto podre nascida escolhida pra ser pior que ratos, ser pior que qualquer bicho, mão de obra barata. As posições retorcidas da coluna pra carregar as bacias, o pescoço duro de aguentar lenha de patrão, de senhora, mãos habituadas a pedir esmola e a guardar sapatos na entrada do Templo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Há muito não lhe importunava os ombros de fora, as vestes rasgadas e se contentava com folhas verdes, folhas de árvores. Teve um tempo em que sentiu força pra mudar de casta, furar o cerco, subir na escala, alcançar a pirâmide&#8230; Talvez se não fosse tão escura, tão feia, tão fêmea. Foi na época da rebelião hormonal que se instalou em sua cútis que exigiu mais respeito, mais dinheiro e mais atenção, e até conseguiu alguns ouvidos, nesse tempo seus devaneios lhe pareciam escandalosos: se imaginava dançante dos templos de shiva nataraja, da mais alta hierarquia das dançarinas. As que abençoam com mãos e cantos e também fazem milagres. Não lhe importava que isso fosse coisa de homens, queria carregar o deus amado em seus ombros fortalecidos de carregar roupas encardidas, do pai, dos irmãos, das tias, tudo numa bacia gigante, sua companhia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Não odiara os ingleses, nem os arianos, pelo menos não o bastante – sua impostação era puro amor, sem nem ressentimentos contra as descrições escassas sobre sua personalidade viva. Teve poderes e fez ressecar feridas com toques de unhas. Sua força atômica não empunhou peixeira, nem dardo, nem cabelos assanhados. Achou que bastava ser feiticeira. O que lhe sobrava agora era um estranho fetiche com sapatos de turistas. Polia-os e sofria de graxa, de costura, imitava brilhos, usava dez anéis roubados nos dedinhos dos pés e parecia a beira do colapso. Não morria. Quatro cachorros lhe seguiam e ela cuidava dos seus fiéis andarilhos, que latiam e protegiam da noite sem teto dormida no puxado do templo. Sim, ainda era abençoada pois dormia perto do templo e às vezes de noite cantava e embalava no sono alguns companheiros de destino.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Intocável. Será que por isso nunca casou, será que por isso nunca deu cria? Porque disso sempre fugira e nunca, nunca aconteceu. Era por demais dos deuses, e eles sabiam disso, o que atrapalhava era a hierarquia, da qual não tinha clareza mas obedecia. Já pouco lhe sobrara de certeza e quase nenhuma feitiçaria. Os deuses a queriam carregando a extinção com a ponta dos dedos, na ponta dos pés. Mas ela pisava no chão. Foi com muito atrapalho interno que um dia roubou um sapato do templo, e foi essa toda a maldição consequente. Primeiro a alegria, os sapatos eram perfeitos para seus pés e eram fortes, de material sagrado. Depois uma gastura terrível, quase uma falta de ar. E súbita. Coro de vaca nelore, que escárnio!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ela vestiu o escárnio. No início com timidez e apenas quando dormia em seus quartos mais secretos; não queria ser vista já que tudo nela contrastava com aquele sapato de couro bem nascido, bem criado, bem matado e bem cortado. Profaníssimo. E nela tudo era lama do nariz, tudo era desgostura, tudo era gerações de improviso ardido. Não era sapato de sua classe, nem de sua casta, nem de sua cor, nem de seu domicílio, nem de sua imperfeição. Seus quatro cachorros de guarda entendiam hedonistas que aquele conforto caia bem e já estava apropriado. Eles eram veículos, entre o santo e as heresias incontáveis, não eram criaturas de um só mundo, nem pisavam sempre nos mesmos chãos. E seguiam ela e seus sapatos torpes e confortáveis. O sagrado despedaçado em utensílios perde a boa aura mas os cachorros não seguem a aura, seguem o fedor onde fizeram ninho, onde se acolhem com toda a cumplicidade ou com toda indiferença. Os cachorros sim seguiam templo adentro, sem parar na porta como a pastora porca que era intocável. Eles entravam e engoliam farelos alheios a qualquer solenidade ou embriaguez. O que alimenta não tem procedência. As vezes ficavam por cerimônias inteiras, se coçando, se lambendo, se arrastando no chão do templo. E depois voltavam ao fedor familiar de sua intocável, que eles achavam roçável. Ela então se retirava para um bueiro feito privado e ali sim colocava seus sapatos para virar deusa intocável, inatingível, inalienável. De uma religião clandestina, prolífica e piedosa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Depois de algumas semanas ela perdeu mais esta cerimônia e passou a ficar na porta do templo também com seus sapatos. Por que ela haveria de ter pudor? Pudor é para quem tem recônditos e ela era escancarada, pedia, implorava, se arrastava, lambia os sapatos – podia vestir o descalabro. E se sentia deusa, fora do picadeiro, mas deusa. Pelo menos do tornozelo para baixo. Seu sapato era um candelabro aceso, lhe acendia. De onde estes sapatos, lhes perguntavam os que passavam com ou sem fortuna. E ela se arrastava, é tudo o que eu tenho, é demais? As vezes até tirava os sapatos e recolhia moedas com eles. Dava sorte. Já não conseguia falar senão para implorar, para mostrar seus sofrimentos e cobrar por eles. Sua voz saía já implorada, esganiçada e quando por descuido e raramente saía-lhe uma tonalidade diferente, quando por exemplo ralhava com alguém reclamando seu pedaço de chão perto da luz, seus cachorros latiam e estranhavam, já que moravam nos grunhidos esganiçados, agoniados, chorados de sua intocável. Não era junto dela cheia de força, cheia de ímpetos que eles moravam, moravam ao pé da fraca, da desabada, da nojenta.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Existem duas tramas entre os intocáveis – e talvez até entre os outros, os que se tocam. Tem a estória de alguém que chega, e tem a história de alguém que parte. Pode ser um rato, um coiote, um guru ou pode ser uma infecção que apareceu de surpresa ou deixou um corpo em paz. E às vezes as tramas se esbarram, quem uma vez veio, volta. Quem algum dia já chegou, desaparece. Quem uma vez infectou, cura. Quem uma vez resolveu o desconforto, traz a maldição. No lodo os complôs saem desbotados, úmidos, dissolvidos. Num meio-dia de monções o templo esvaziou no meio da tempestade. Ninguém entrava, ninguém saia, apenas a água que inundava já quase todo o pequeno santuário de Ganesh quase submergindo sua trompa e a água que era jogada para fora pelos sacerdotes que com cuidado secavam as relíquias, os ex-votos, os cálices bentos. Mas a intocável de sapatos de couro estava com fome, e sentia febre, e sentia calafrios, descalibrada e surda, feia, fêmea e maldita. Ela e outros quantos desesperados ficavam debaixo de uma lona na porta do templo, esperando que alguém chegasse com uma compaixão redentora. Ela não tinha mais para onde ir, mal conseguia se mover com suas pernas tortas, e arrastada para sua ratoeira só poderia arder de febre com fome sem os seus cachorros que não sairiam do templo enquanto não estiasse. Debaixo de chuva e de vento, com os elementos conspirados contra ela e com o desespero do delírio sua cara era ainda mais dolorida, era um buraco negro de desconsolo, como uma parede sem portas. E poderia vir um fiel, um devoto com fortuna que pudesse olhar para baixo e no meio da água sem cartografia abrisse o bolso e tirasse alguma moeda ou algum pedaço de pão. Era miudinho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>E veio. Era um Sri. Barbas brancas e a roupa salpicada de nobreza suja. Iluminado no meio da cinzura do dia estragado. O Sri parou e largou sobre sua mão um pedaço de pão e ainda um figo seco, daqueles que os sábios mordiscam depois de dias subnutridos para que fiquem sabendo apenas do que acham que é preciso saber. Ele entregou a comida lentamente e depois olhou fixamente para seus sapatos. Em seguida fez um sinal com a mão indicando que iria se sentar ao seu lado, debaixo da lona, debaixo da chuva. Que coisa precisaria acontecer agora? Ele se sentou com muito cuidado e sem nenhuma velocidade. Recostou sobre a pilastra do templo e tocou a intocável, não na pele, não na carne, mas no sapato. E disse, os sapatos, eu conheço estes sapatos. A intocável delirava e já nem lhe importava mais nada senão o figo que engolia, o pão que se desfarelava na sua boca. Os sapatos são roubados na porta do templo, ele disse. E ela apenas pensou retorcida entre duas poças fundas de água suja: e o que me traz este agouro, mais tormenta? Quando se rouba um sapato na porta do templo, ele dizia, uma pessoa calçada vai sair do templo com os pés pelados, triscando no chão. É como se seguisse no templo, é como se seguisse em terreno sagrado, é como se não pisasse mais na diferença entre o templo e todo o resto dos chãos. Perder os sapatos é perder uma compostura. Quase nunca se roubam sapatos, quase nunca na porta do templo – já que a fúria dos que sustentam o mundo pode sempre se voltar contra as mãos ladras. Mas ela, a intocável, foi ela que nem temeu fúria alguma – ela não podia entrar no templo, porque haveria de andar descalça? Assim falava o Sri, devagar como se cada palavra fosse um mantra escolhido para a ocasião, como quem fala com cuidado ou sem certeza. Quando uma fúria assim é enfrentada, a geografia da santidade muda. Algum pé roça qualquer parte como se fosse sagrado já que é, já que o templo não pode ter portas e aquele lugar inundado onde eles estavam – já recostados sobre muitos centrímetros de lama – era um lugar que não tinha lugar. O Sri falava e ela saia de si como os famintos fazem, os famintos daquela fome que não mata mas que também não ajuda a viver. Ela não sabia se resmungava ou se tentava encontrar um jeito de levantar a voz e corrê-lo de lá – ou talvez apenas ficar em silêncio e esperar para ver até quando aquele vento ia soprar sem direção.</p>
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<p>Ele falava que ele também vivia na porta dos templos, sempre indo e voltando, sempre excogitando o templo pela cidade, a cidade adentro. Seu retiro era nas suas viagens, província a província, indo de porta em porta e ali fazia um ashram, ali fazia discípulos. Ela não queria mestres, queria talvez um pouco mais de figo seco e se decidiu a extender a mão em sua cara, sem som, sem grunhido, que ele falasse já que ela não escutava quase nada do que não lesse em sua cara. Ele parou de falar e, para sua surpresa, colocou a mão no bolso e retirou exatamente um figo, seco e ainda maior que o primeiro, e depositou nos seus dedos. Ele dizia que teve muitos filhos quando morava no norte, fez fortuna, perdeu todo o dinheiro, ficou ainda mais rico, abandonou a cidade em um trem. Tive uma filha criada no exterior. Ela fazia filmes, fazia documentários e estava sempre viajando por toda parte. E ela era devota de Ganesh. Colecionava Ganeshas de ouro, de prata, de diamantes, tudo o que não gastava em roupas e nas viagens, gastava em deuses bibelôs em sua estante. Ele era também aficcionado de Ganesh. Mas não gostava das coleções, preferia que os outros tomassem conta do que é precioso. Ele preferia cuidar do que é descartável. Ganesh tinha uma tromba, não era turqueza, não era rubi e nem de esmeralda, era imprevisível. E ainda assim, ele gostava de olhar para a cor da turqueza, ter uma pedra no seu bolso, junto aos figos, junto aos pães. Ainda que parecesse de tão pouca utilidade no seu bolso. O sapato era de sua filha, ele disse. Ela veio ao templo e voltou descalça.</p>
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<p>Era esta a armadilha, achou a intocável, olhando fixamente para os lábios do Sri, com a cabeça empenada para frente como se estivesse debruçada sobre cada palavra. Ela ultimamente as vezes dormia de sapatos. Mexeu um tanto os dedos dos dois pés, sorvendo aquele ambiente enxarcado e ainda assim uma casa, uma corpo para seu corpo. Ele colocou de novo a mão sobre o sapato. E então lentamente começou a se retorcer em direção a um pé esquerdo e começou a beijar a sola do sapato, e o pequeno salto e depois o resto do couro em volta da sola. Ele beijava como quem lambia. Lambuzava. E ela, intocável. Parada debaixo do temporal, sem mais nada senão sua capacidade de se perder em contemplações. Contemplava os pequenos deslocamentos do pescoço do outro maltrapilho, o pescoço esbarrava entre aquilo no que ele rastejava a língua e naquilo que ele não tocava: ele lhe lambia ou beijava os sapatos? Ela olhou para as núvens no horizonte mais escuro: o oriente é o oriente. Os Sris passam, mas a dobra entre o céu e a terra permanece. A chuva apertava. Ele se largou no chão, e em alguns minutos ficou coberto por uma poça, ela olhou para aquela imagem crente se desmanchando e estendeu uma mão – como aprendeu a nunca fazer para uma pessoa já que qualquer um era superior demais. Ele então modeu-lhe o sapato. Com dentes frágeis, talvez só dentes ausentes, a gengiva nua que se acostumara a morder mesmo sem mandíbula. Como se figo fosse carne. Como se figo fosse seco – ele na poça de lama com a boca na sola do sapato da intocável como se a água tivesse cabelos que ele pudesse agarrar. O sapato, enxarcado, se tornava de outra substância. As monções furiosas, a mordida frouxa da boca desmantelada, o cheiro do suor lavado – dali podiam sair caules e miudezas. Uma outra substância. Uma substância anônima e, ainda assim, como dos parias que nascem nos becos abertas nas paredes, prenhe de ardências. Uma substância sem dono, sem objeto, sem contorno e que, avulsa, não tinha corpo, nem era dela e nem era de qualquer sadu. Pleiades de células mortas. Era da matéria extraviada que o sapato se inoculara. Um coito.</p>
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<p>Na poça de água com o iluminado dentro, a mendiga via o céu nublado tremido e ele que lhe olhava com o pescoço encurvado e a boca debruçada na sola do sapato como se quisesse um chão. E ele recusava sua mão estendida. Ficava ali sem bordas como se suas gengivas pudessem amparar a situação. Ali germinam galáxias inteiras, segundos duram milênios, horas duram minutos. Passou o tempo de secar o ar e vieram ladrando os quatro cachorros, saídos do templo e fiéis. Como um cipreste, secando pelo chão. A boca largou o sapato, as roupas do homem molhado ainda se escorregaram pela lama e o arrastaram para perto da mureta onde chafurdavam os quatro cães. Arrancaram-lhe um dos sapatos e ele teve que se levantar com o pé pelado, escorrendo água. Olhou para baixo e entrou no templo.</p>
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		<title>acaendemico, por felipe ribeiro</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Nov 2011 17:47:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
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		<description><![CDATA[sua poesia tá com aids a violência dos imbecis inimigos distantes é clara e fácil de combater a violência profunda dos que amamos e admiramos um dia, porém que usam da proximidade com nosso coração exposto que demos em suas &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/28/acaendemico-por-felipe-ribeiro/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=509&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><iframe width="500" height="375" src="http://www.youtube.com/embed/FcV7oPRCw8U?fs=1&#038;feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
<p>sua poesia tá com aids a violência dos imbecis inimigos distantes é clara e fácil de combater a violência profunda dos que amamos e admiramos um dia, porém que usam da proximidade com nosso coração exposto que demos em suas mãos porque achávamos que aquele brilho no olhar era vitalidade e não ira esta violência que vem de dentro de nossa própria pele arrebenta e dá vontade de desistir como um ovo de inseto advindo do cheiro do sangue quente mas isto é só um reflexo desta vontade desistente destes falsos eróticos e maus amantes estampada neste sorrisinho azedo desta convulsãozinha de palavreado rebuscoso este chilique de falar nervoso e na pretensão da despretensão se você dançasse e transasse o não-falo, talvez não te assasse tanto seu olhar é herpes, te desejo como teatrinho de fantoche punhetinha de peste estupra policiais, transa os teus políticos deixa os delicados e carinhosos amigos seguirem cuidando das plantas que acham no lixo tua boca rachada quer ser venereada foder com os bichos rastejantes vai dar o cú pra quem tem templo vira puta e vai na tv falar toda sua enoooooorme sabedoria fode outra aluninha pra inflar o ego gasoso sempre tomando todo o espaço e achando que não existe e mantenha tua usura bem guardada no teu cu peludo skinhead 88 não molha o biscoito gostoso, sem fazer da cama um palco e do baixo ventre um púlpito presta atenção pra não paralizar os hormônios que fazem o sangue bombear quem poliniza polêmicas não sente a carícia do pólen As portas já estão abertas Pro quilombo do amor Correndo pra liberdade Ele funciona melhor Como feijão no algodão E depois de chover na minha horta Estou paralisada sob as estrelas Não quero subir no pau de sebo Deslizar fácil não tem graça Tem que ter veia Não quero sua urucubaca Dilatação é um estado de graça Você só quer estupro Eu quero transar mesmo<br />
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/28/acaendemico-por-felipe-ribeiro/"><img src="http://img.youtube.com/vi/MBJnTPOx0Xk/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>desliga a novela e vai transar amor incondicional! eu dormi depois daquilo tudo tinha ido até lá por amor pensando que iamos nos abraçar e transar gostoso mas ficou aquele ranço seu cu é uma arapuca de humilhações o ridículo é vergonhoso só pra quem ri da fragilidade alheia</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/28/acaendemico-por-felipe-ribeiro/"><img src="http://img.youtube.com/vi/9C4uTEEOJlM/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>a violência contra um é a violência contra todxs falando de tesão com ódio, imaginando como seria dar o cu pra mim mas preferindo bater a cabeça do pau contra a parede e não pude conter de rir e lembrar que não fodi tua mulher só fiz amor com ela você sabe, foi gostoso, foi doce, foi até fofo, mas ela prefere com nojo ela te ama mesmo e vai te proteger sempre&#8230; que Próspero se proteja das sanhas vis de Tituba&#8230; taca a merda de volta pra mim, nós não temos mais o que fazer mesmo&#8230; o importante é arruinar os que se aproximem pra inculcar bem gostoso no cu dos afetuosos o desejo de isolamento e podermos bradar bem alto: São todos caretas e solitários, mas eu não! Eu fodo tudo e sou foda! Panser!</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/28/acaendemico-por-felipe-ribeiro/"><img src="http://img.youtube.com/vi/W8htDv1IqLk/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>eu fodo foda! vocês são mal comidas do mal se tem os cu trancado, que dizer dos que tão com hemorróidas no espírito? minoria erótica não é você e a horda de estupradores semiônticos honre tuas saias, porra! honre teu crossdressing! putas se respeitam e se protegem dos clientes violentos! não me obrigue a pôr teu nome na lista branca dos bobinhos playboys tentando ser fodão falando fininho e sendo cruel reizinho universitário erosão de merda por falta de cultivo da flora intestinal já é tão duro, tanta croposofia e economia do alento monta seu puteiro de alunos em Auschwitz e depois fala contra o delírio machista e o podrer levai todos os amantes a Nuremberg e declara guerra tua dança esquizo vai direto do estômago pro escroto antes de abrir svadhisthana, aliás antes de abrir qualquer chacra (mesmo sahasrara) é preciso abrir o coração supositórios de testosterona e anti-édipo não vão ajudar nisto trepa com o nariz um pouco corta os cabelos dele faz uma massagem no órgão sem corpos, antíego e depois assopra o vão dos dedos do pé pisca os cílios nos joelhos aí tu pega este pau perfeito e enfia em 90 graus sem ter nem que ajeitar com a mão pra entrar&#8230; mas enfia devagar passando em todas as dobras e paredes até chegar no G&#8230; você sabe, né? entra e sai é só isso entra e sai agora sai e sai e tenta entrar em si olha a buceta na tua glande deve doer mesmo me ver pra você precisar disto mas não reduza quem te olha ao que você quer que seja visto tua dor é pequena tua beleza tá em outro lugar olha em outro orifídio busca a cobra prisma, íris, cristal</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/28/acaendemico-por-felipe-ribeiro/"><img src="http://img.youtube.com/vi/L9P-fIgVzY0/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>não confunde a boca com o cu o afeto com o sem feto ou vai acabar vomitando palavras e com o rabo preso de vícios a crueldade ensina a crueldade como única saída para a crueldade</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/28/acaendemico-por-felipe-ribeiro/"><img src="http://img.youtube.com/vi/K4iApgbAgWE/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>o sexo é pouco pra Eros it mesmo&#8230; a malícia que gosta de entranhar cada palavra bela com afetos tristes eu lambia o pau de Baruch e ele sorria afagando minhas orelhas não&#8230;isto aqui não é um poeminha erótico pro teu movimento estético pode botar tuas relações no teu currículo lates, baby o amor é mais importante!</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/28/acaendemico-por-felipe-ribeiro/"><img src="http://img.youtube.com/vi/SpZiI6Ru36E/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>sexo é compromisso, não é viagem, se pá fica esquisito quem vai cuidar dos ultravestis, estes corpos pós sexo por excesso de erotismo&#8230; mas deste tesão pela virtude, antiromantismo pra quem cruza os desertos e já cansou dos chacais, das jaulas de espelhos e dos mercados de carne</p>
<div class='embed-vimeo' style='text-align:center;'><iframe src='http://player.vimeo.com/video/23988620' width='400' height='300' frameborder='0'></iframe></div>
<p>gozar o azul, olha no meu olho quando como teu coração, respeito com a comida é o ethos canibal que o egota do antro não percebe eu sou Heraclítores e você foi ressentido e não me tocou porque não toca os outros! só se toca! punheta com a buceta dos outras ainda é punheta e não refresca o cu atolado de si aí o Tarkovsky vira pra gata e diz: -Benhê, vamos ler uns poeminhas do meu pai? falando que nem o trânsito do trans, mas ainda pensando como falo fodendo virtualmente, sádico sem contato e masoquista sem contrato corpo liberal seguindo as regras da pena capital processo da cela, corpo incorporado travesti sou eu, você é só um perverso polimorfo mascarado de cu Mahler espanca Alma e depois morre de hemorróidas eu te digo de novo, olha nos meus olhos, você é o hetero aqui! fazendo um normativismo derivante! cagando ordens por medo da responsa e do respeito que demandam o cuidado e o amor seu cadáver, sobre ele eu danço depois das abluções na sina respeito é pra quem tem</p>
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<p>achando que a estupidez e o ressentimento são uma novidade&#8230; o pai militar com a arma na cabeça do moleque de 9 anos dizendo: &#8220;Filho meu não é viado!&#8221; ou a namoradinha que traiu só com os melhores amigos pra ver se alquebrantava o brilho não é muito diferente do travesti juiz ou o erósofo do coração brocha, ou da buceta seca da indelicável o cara chega na perifa e diz a mesma coisa por 4 anos, ele tem 14 e não conseguiu ainda nem parar pra pensar em gozo: &#8220;agora, vocês têm 5 minutos pra me zoarem e humilharem. depois vão me ouvir!&#8221; vai foder uma professora na semana que vem e beijar um amigo do comando, mas vai continuar sendo o otário pros otários a violência não é uma novidade! viadinho em casa, branco playboy na quebrada, pobre quietão esquisito na escola no centro&#8230; filhinha do pastoreio, vagabunda de estância&#8230; você sente arrepio no coccyx quando sente tristeza? tá com os nervos gastos, é isso? zoa mais, filhinho de mamãe judia e filhos de santo! acha que foi fácil chegar onde chegamos? quer por tudo a perder e se converter num milico do afeto podre vais ter que descer o zohar todo antes vão ter um filho meu no seu cérebro enfiado por empalamento com Príapo pra todos os teus sonhos e no útero de todas tuas ninfas vai beber outra breja e fazer bullying com outro amiguinho? estupradores! olhem ao redor! estupradores! vocês se diminuiram a meros estupradores! eu vou castrar estes falos das tuas bucetas sujas de ricota verde Sardanapalo de quatro prum velocino de fezes vou limpar a cuspe a tua candidíase e vamos fazer sem preservativos já que a camisinha extrapequena lhe coube na carapuça Héracle, Héracles&#8230;..ha&#8230;.I nursed him through twelve river orgies, a logic rehab, and a pregnant receptionist&#8230;. God&#8217;s creature, right? God&#8217;s special creature&#8230; I&#8217;ve warned him, Safo. I&#8217;ve warned him every step of the way. Watching him bounce around like a fucking game. Like a wind-up toy. Like 280 pounds of self-serving greed on wheels. The next thousand years is right around the corner. Héracles&#8230; take a good look, because he&#8217;s the poster child for the next millennium. These people, it&#8217;s no mystery where they come from. You sharpen the human appetite to the point where it can split atoms with its desire. You build egos the size of cathedrals. Fiber-optically connect the world to every eager impulse. Grease even the dullest dreams with these dollar-green gold-plated fantasies until every human becomes an aspiring emperor, becomes his own god. Where can you go from there? As we&#8217;re scrambling from one deal to the next, who&#8217;s got his eye on the planet? As the air thickens, the water sours, even bees&#8217; honey takes on the metallic taste of radioactivity&#8230; and it just keeps coming, faster and faster. There&#8217;s no chance to think, to prepare; it&#8217;s buy futures, sell futures&#8230; when there is no future! We got a runaway train, boy. We got a billion Hercules all jogging into the future with their violence philosophies. Every one of them is getting ready to fistfuck God&#8217;s ex-planet, lick their fingers clean, as they reach out toward their pristine, cybernetic keyboards to tote up their fucking billable hours. And then it hits home. You got to pay your own way, Héraclie. It&#8217;s a little late in the game to buy out now. Your belly&#8217;s too full, your dick is sore, your eyes are bloodshot and you&#8217;re screaming for someone to help. But guess what — there&#8217;s no one there! You&#8217;re all alone, Héraclie. You&#8217;re God&#8217;s special little fucking creature. Maybe it&#8217;s true. Maybe God threw the dice once too often. Maybe He let us all down. de que adianta ficar se contorcendo sobre teu corpo doente de usura forjando a vozinha mansa de um verme por inveja das aves que cantam parabéns pela vitória, poderosaaaa! mas seu poder ressentido fede limpa teu pau, não é merda de cú nele não é petróleo PEGA E SE CUIDA BEM PEGA E SE CUIDA MAIS PEGA E SE CUIDA BEM PEGA E SE CUIDA MAIS</p>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 02:15:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Entrevistando o filósofo Hilan Bensusan (pode ser lido no site http://www.filosofia.com.br/vi_entr.php?id=17 Responsável -Will Goya MINI-CURRÍCULO: Hilan Bensusan (hilanb@unb.br) Fez graduação na Universidade de Brasília, mestrado na Universidade de São Paulo e doutorado na Universidade de Sussex. Sua tese de doutorado &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/24/507/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=507&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entrevistando o filósofo Hilan Bensusan (pode ser lido no site <a href="http://http://www.filosofia.com.br/vi_entr.php?id=17">http://www.filosofia.com.br/vi_entr.php?id=17</a></p>
<p>Responsável -Will Goya</p>
<p>MINI-CURRÍCULO: Hilan Bensusan (hilanb@unb.br) Fez graduação na Universidade de Brasília, mestrado na Universidade de São Paulo e doutorado na Universidade de Sussex. Sua tese de doutorado foi sobre naturalismo e indução, desde então (1999) pesquisa sobre pensamento, experiência, holismo, o debate Davidson-McDowell, as variedades de naturalismo, auto-conhecimento, singularidades, diferenças e, mais recentemente, ontologia das potências. Publicou 18 artigos em periódicos internacionais (como Theoria, Philosophia, Theoria) e nacionais (como Manuscrito, Kriterion, Principia), 5 capítulos de livros e 16 trabalhos completos em anais de eventos. Títulos incluem: When my own beliefs are not first-personal enough, Ist meine eigene Weltanschauung third-personal enough, Minimal Empiricism Without Dogmas, Showing the inferentialist the way out of the bottleneck, O intellectus com os pés na res, O pensamento sem luz própria . Recentemente (2008), publicou Excessos e Exceções , pela editora Idéias e Letras.</p>
<p>A ENTREVISTA:</p>
<p>Professor Hilan, o senhor pesquisa uma temática ainda pouco conhecida no ensino de filosofia no Brasil, que é a relação entre filosofia e feminismo. Quais são as questões filosóficas do feminismo? Poderia citar um fato jornalístico atual e fazer uma pequena análise filosófica?</p>
<p>Hilan Bensusan &#8211; O feminismo, e questões de gênero e diferença sexual, associados aos estudos queer e aos estudos transexuais, invocam questões filosóficas por todos os lados. Gostaria de mencionar dois aspectos que tem tido relevância no meu trabalho filosófico nos últimos 5 anos. O primeiro é o tema das identidades e das diferenças. Alguns feminismos, classicamente, invocaram sujeitos identitários: sobretudo &#8220;as mulheres&#8221;. Muitas vezes tais sujeitos identitários eram invocados ao considerar a diferença sexual &#8211; a diferença entre o masculino e o feminino, e como essa diferença é construída. Muitas formas de diferença sexual foram criticadas e reformuladas &#8211; o foco da tensão girando em torno da relação entre diferenças de um lado e políticas de identidade de outro. Judith Butler, filósofa de Berkeley, por exemplo, tentou, em um esforço nos seus trabalhos de 1990 a 2004, formular o feminismo de uma maneira que não o comprometesse com o sujeito político &#8220;as mulheres&#8221;, com políticas de identidade ou com muitas versões da idéia de diferença sexual &#8211; consideradas baluartes para a heterossexualidade compulsória. Butler articulou uma aliança entre o feminismo e os estudos queer , que colocou o feminismo como central para se considerar o problema da identidade e da diferença em política e em teoria da ação. O segundo aspecto que gostaria de mencionar é a relação entre sexo e gênero como parte da discussão do que é natural e do que é normatizado. A discussão tem vários aspectos, mas o tema da pluralidade de sexos é um dos mais interessantes &#8211; o tema da interssexualidade. Anne Fausto-Sterling relaciona cinco sexos biológicos, incluindo o falso hermafrodita feminino, o falso hermafrodita masculino e o verdadeiro hermafrodita (capaz de ser heterossexual com homens e com mulheres). A construção de identidades de gênero tem de se relacionar de diversas maneiras com essa diversidade de sexos biológicos &#8211; as normas de identidade fazem uso desses elementos naturais de alguma maneira. As relações entre normas e natureza aparecem de uma maneira especialmente clara no corpo interesexual &#8211; e no corpo transexual. Recentemente, a imprensa divulgou (http://news.bbc.co.uk/2/hi/health/7689007.stm) que foram encontrados alguns genes que estão correlacionados com a transexualidade de homens biológicos (que desejam ser identificados como mulheres). Trata-se de um tema que suscita muitas questões: qual é a natureza de um desejo por uma identidade? Quanto de natural podemos esperar encontrar na transexualidade? Qual é a origem de genes assim, de onde eles surgem, como eles interagem com outros genes etc.? Como entender tais genes em função da evolução da espécie e dentro da espécie? A &#8220;Declaração Universal dos Direitos Humanos&#8221;, de 1945, não demorou em ser reinterpretada e questionada numa de suas crenças básicas, a de que seríamos todos iguais. O feminismo foi um dos movimentos sociais e políticos que mudou a ênfase da busca pela igualdade pelo direito às diferenças. Atualmente, o negro não quer mais a farsa de não ser reconhecido em seus &#8220;direitos humanos universais&#8221;, e luta especificamente pelo direito de ser reconhecido em sua negritude, com leis específicas. O mesmo fenômeno se observa com o direito das crianças e adolescentes, com os idosos, com os homossexuais, e com todos os que foram excluídos pelo discurso da igualdade. Todavia, o feminismo também já foi muito criticado por incitar o ódio aos homens&#8230;</p>
<p>No campo da filosofia moral, eu lhe pergunto: de que maneira o movimento feminista ajudou a desenvolver uma ética de alteridade?</p>
<p>Hilan Bensusan &#8211; O tema da ética da alteridade está associado aos esforços de Lévinas &#8211; que desconfiava que a empreitada de incluir o outro era uma empreitada violenta &#8211; mas também de uma de suas interlocutoras associadas ao feminismo da diferença sexual: Luce Irigaray. Ela entendia a diferença como central para a sexualidade e entendia que o falocentrismo, em geral, a submetia a um esquema de submissão, complementaridade ou oposição. Irigaray pensava que um projeto de feminismo da diferença sexual podia desembocar no que ela chamava de &#8220;heterossexualidade radical&#8221; em que a diferença é considerada como irredutível &#8211; trata-se de uma sexualidade de diferentes. Irigaray também suspeitava que o movimento de integração das mulheres na vida masculina era um movimento de colonização e aniquilamento. Uma ética da alteridade, nesse caso, é uma ética que busca a diferença inscrita no desejo.</p>
<p>De que forma o tema das singularidades aparece como um problema para o pensamento, no seu livro Excessos e Exceções (2008)?</p>
<p>Hilan Bensusan &#8211; Em Excessos e Exceções, procurei explorar como a singularidade pode ser pensada uma vez que o pensamento parece muitas vezes lidar apenas com articulações de descrições gerais. Procurei encontrar um modo para que as singularidades possam ser pensadas sem que apelemos para uma noção de imediato em que elas se tornariam, sem a mediação de qualquer conceito, conteúdos dados de pensamento. Meu objetivo é conciliar uma noção holista (de tipo davidsoniano) do pensamento com a possibilidade de que as singularidades não fiquem alheias ao pensamento. No livro, eu exploro várias dimensões do problema de encontrar meios de não deixar a singularidade ficar indiferente ao pensamento. No final, apresento uma solução que torna a singularidade parte das paisagens do pensamento sem as reduzir a descrições ou a conteúdos conceptuais de pensamento (e sem compromissos com a tese de que há conteúdos não-conceituais).</p>
<p>Em Excessos e Exceções, você dialoga com autores de diferentes tradições, como Agamben e Kaplan, Deleuze e Evans, Lévinas e McDowell. Por que e como esses autores, tão raramente citados juntos, são invocados?</p>
<p>Hilan Bensusan &#8211; A questão da singularidade pensada é um problema que aflige diferentes tradições. Os enfoques são diferentes: o foco na natureza dos exemplos &#8211; casos particulares de gerais pensados, a preocupação com os demonstrativos e com o uso referencial das descrições definidas, considerações acerca de como ordens constituem singularidades, análises do pensamento singular, a violência do mesmo quando pensamos singularidades ou a natureza da experiência. A questão é central na filosofia contemporânea e pode ser vista como um resíduo do tema da relação entre pensamento e mundo &#8211; talvez o pensamento possa tocar o mundo através de recursos que giram em torno de capacidades conceituais, mas os conceitos podem ser ainda impermeáveis a &#8220;haecceidades&#8221;, às singularidades no mundo. A solução apresentada no mundo invoca tanto o trabalho acerca dos demonstrativos de Kaplan quanto a noção de plano de imanência de Deleuze e Guattari e a noção de &#8220;acquaintance&#8221; em Russell.</p>
<p>Como, em sua opinião, essas diferentes tradições da filosofia contemporânea, que dificilmente convivem entre si, ocupam espaços no Brasil?</p>
<p>Hilan Bensusan &#8211; Penso que no Brasil temos uma oportunidade de fazer filosofia tirando proveito das diferentes maneiras de fazer filosofia que estão associadas a essas tradições. Já que não estamos associados diretamente a nenhuma dessas tradições, podemos circular entre elas e buscar recursos para nossas questões filosóficas. De fato, assim como em países como a Espanha e a Argentina, nossas graduações em filosofia são plurais e ensinar recursos que provem de diferentes abordagens da filosofia &#8211; nossos estudantes são pelo menos informados acerca da importância de trabalhos de tradições diferentes como os de, por exemplo, Kripke e Merleau-Ponty. Mas a partir da pós-graduação, os estudantes já são estimulados a se concentrarem em apenas uma dessas tradições &#8211; com isso perdemos uma oportunidade especial de construir originalidade no trabalho filosófico brasileiro.</p>
<p>Tenho a impressão que na Argentina, onde estive recentemente, esses diálogos entre tradições são mais comuns e mais aceitos. Essa pluralidade se verifica no curso de graduação da UnB? De que modo?</p>
<p>Hilan Bensusan &#8211; Também na UnB a graduação é mais plural que a pós. Na UnB temos professores de diferentes formações e penso que isso é um grande patrimônio. Em geral, interagimos muito quando temos estudantes para avaliar conjuntamente &#8211; em bancas, em trabalhos de conclusão de curso. Tenho esperança de que uma maior interação pode ser conseguida. Em certo sentido, meu Excessos e Exceções procura também mostrar como as interações podem ser feitas. Acho que na UnB temos todas as condições de promover uma filosofia menos atomizada e mais afetada por diferentes maneiras de pensar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/esquizotrans.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/esquizotrans.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/esquizotrans.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/esquizotrans.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/esquizotrans.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/esquizotrans.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/esquizotrans.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/esquizotrans.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/esquizotrans.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/esquizotrans.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/esquizotrans.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/esquizotrans.wordpress.com/507/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/esquizotrans.wordpress.com/507/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/esquizotrans.wordpress.com/507/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=507&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Indisponibilidade e impaciencia &#8211; sobre a indisponibilidade</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 03:52:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[INDISPONIBILIDADE E IMPACIENCIA Sobre a Indisponibilidade Moises: desculpe ser chatinho, mas eu to muito cansado dessas brigas e acho que vc também e eu te adoro tanto Thiago: eu gostaria de saber o que vc vai fazer para a gente &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/21/indisponibilidade-e-impaciencia-sobre-a-indisponibilidade/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=493&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>INDISPONIBILIDADE E IMPACIENCIA</strong></em></p>
<p><em>Sobre a Indisponibilidade</em></p>
<p>Moises: desculpe ser chatinho, mas eu to muito cansado dessas brigas e acho que vc também</p>
<p>e eu te adoro tanto</p>
<p>Thiago: eu gostaria de saber o que vc vai fazer para a gente nao brigar mais?</p>
<p>Moises:não sei, não sei o que fazer</p>
<p>Thiago: eu tambem nao, de repente se vc nao resistisse tanto eu nao ficaria tao agressivo, uma coisa forca a outra,nao sei</p>
<p><span style="color:#000000;">Moises:</span>a gente estava numa boa, de repente vc nao responde, nao ouve, nao ve, eu me sinto desprezado, esquecido, e comeca o ciclo viciado e cansativo</p>
<p><span style="color:#000000;">Moises:</span> sim</p>
<p>Thiago: eu fico agressivo, vc se irrita<span style="color:#888888;">, </span>se a gente nao romper o ciclo, nada vai mudar<span style="color:#888888;">, </span>pra mudar vc tem que querer mudar, eu estou tentando entrar no processo, com recaidas imensas</p>
<p>Moises: eu tentei tanto, tantas vezes, mas dessa vez eu fiquei muito exaurido</p>
<p>Thiago: eu nao acho que tu me conquiste quando eu te falo que nao estou bem e vc me manda emails dizendo que eu estou convertendo todos que sou um deus e que seu pau ta duro!</p>
<p>Sinceramente nao acho que isso seja tentar</p>
<p>Moises: nem acho que vc já fez alguma outra coisa a não ser estourar e mostrar que no fundo vc não tem paciência comigo<span style="color:#888888;">, </span>por que vc não tem!</p>
<p>Thiago: eu sinto tua indisponibilidade, eu tenho que entender ela?</p>
<p>Moises: eu te irrito, vc queria outra coisa,alguém igual a vc</p>
<p>Thiago: bom, vamos la<span style="color:#888888;">, </span>vai comecar</p>
<p>Moises: escuta, eu estou do outro lado do mundo, sem ler teus emails eu te escrevo e vc manda um email furioso dizendo que eu não presto, falta de paciência, é muito difícil pra mim<span style="color:#888888;">, </span>eu te digo isso há anos<span style="color:#888888;">, </span>sei lá</p>
<p>Thiago: Que outro lado do mundo? Isso nao existe, isso &#8216;e do seculo passado!<span style="color:#000000;">E</span>u estou aqui</p>
<p>Moises: tudo o que eu escrevo ta errado</p>
<p>Thiago: nao viaja</p>
<p>Moises: sou burro<span style="color:#888888;">, </span>inapropriado</p>
<p>Thiago: eu estou aqui, o que importa qual pais, qual lugar na terra?</p>
<p>Moises: precário</p>
<p>Thiago: pq tu nao le meus emails?</p>
<p>Moises: meus mantras são ambíguos<span style="color:#888888;">, </span>meus emails são inconvenientes<span style="color:#888888;">, </span>cansa</p>
<p>Thiago: bom, e vc nao vai ouvir nada disso e vai vomitar tudo pq vc nao pode ouvir nadavoltamos a escala 0</p>
<p>Moises: eu leio teus emails porra<span style="color:#888888;">, </span>e respondo todos</p>
<p>Tiago: a distancia territorial nao tem nada a ver<span style="color:#888888;">, </span>tampouco precisamos falar todo dia se nao queres</p>
<p>Moises: tu me ama ou queria que eu fosse um bonequinho?</p>
<p>Thiago: mas a comunicacao tem que ser mais limpa</p>
<p>Moises: tu parece que quer uma imagem e semelhança sua, que fale como vc, que tenha os seus padrões de limpeza<span style="color:#888888;">, </span>de clareza<span style="color:#888888;">, </span>de profundidade<span style="color:#888888;">, </span>de relevância, de orientação filosofica, de conveniência<span style="color:#888888;">,</span> de cansaco,</p>
<p>Thiago: nao existe limpesa na nossa conversa<span style="color:#888888;">, </span>vc se faz de vitima ou se defende nao tem como conversar<span style="color:#888888;">, </span>o que significa isso?</p>
<p>Moises: e vc, consegue escutar o que eu to te dizendo????</p>
<p>Thiago: sim</p>
<p>Moises: que bom</p>
<p>Thiago: eu nao sei mais o que te dizer<span style="color:#888888;">, </span>acho que temos um problema grave de comunicacao, temos tentado algumas alternativas<span style="color:#888888;">, </span>que nao deram certo<span style="color:#888888;">, </span>acho que isso &#8216;e muito triste, pq poderia ser mais facil se comunicar<span style="color:#888888;">, </span>vc me alija totalmente da tua discussao, eu acho isso imperdoavel, me sinto uma mulher com vc, uma mulher e esposa. Qdo quero discutir um trabalho contigo sinto tua indisponibilidade<span style="color:#888888;">, </span>me magoa<span style="color:#888888;">, </span>vc nao ouve<span style="color:#888888;">, </span>eu fico puto! e comeca o ciclo</p>
<p>Moises: até parece</p>
<p>Thiago: como romper?</p>
<p>Moises: não sei</p>
<p>Thiago: eu te falo da tua indisponibilidade pra mim, quero saber do que vc fala de mim pra vc? seja honesto por favor, sem defesa ou vitimizacao, qual e o problema?</p>
<p>Moises: vc passou anos dizendo que não entende o que eu faço<span style="color:#888888;">, </span>eu te contava de muitas maneiras e vc dizia, não sei, não entendo, vc devia fazer outra coisa etc<span style="color:#888888;">, </span>um dia eu disse: eu não entendo o que vc faz<span style="color:#888888;">, </span>e vc ficou tão puto que nós brigamos muito<span style="color:#888888;">, </span>parece que vc não tem paciência pra o que é outro<span style="color:#888888;">, </span>só pro que tem cabimento nos seus projetos de mundo, de mudar o mundo ou de viver</p>
<p>Thiago: a indisponibilidade e a impaciencia</p>
<p>Moises: vc vê a impaciência? que é intolerância e pra mim é falta de amor<span style="color:#888888;">, </span> o ciclo é assim: eu fico indisponível porque eu quero me proteger</p>
<p>Thiago: nao mente pra mim babe</p>
<p>Moises: saca?</p>
<p>Thiago: nao, nao mente</p>
<p>Moises: vc não acredita porque não quer admitir<span style="color:#888888;">, </span>quer só se defender</p>
<p>Thiago: vc fica indisponivel pq vc acha que tem coisas mais importantes pra fazer, pq um email te pega tempo demais, pq vc nao quer,</p>
<p>Moises: tu é sem faltas, sem erros, tu é a vitima de um turrão, é isso que tu quer ser</p>
<p><span style="color:#000000;">Thiago: </span>le nossos emails, estavamos completamente bem e vc rompe o ciclo com sua indisponibilidade<span style="color:#888888;">. </span>Nao sou nao<span style="color:#888888;">. </span>eu posso ver meus erros se quizeres</p>
<p>Moises: até parece, isso mostra que vc não me conhece nem um pouco</p>
<p>Thiago: o que nao suporto &#8216;e esse jeito de nao admitir nada como vc faz</p>
<p>Moises: me desespera</p>
<p>Thiago: nao &#8216;e privilegio seu, desculpa, tambem me desespera</p>
<p>Moises: ironia! eu não quebrei nenhum ciclo<span style="color:#888888;">. </span>vc ficou furioso porque eu não li o seu email porque eu não achei<span style="color:#888888;">, </span>porra!</p>
<p>Thiago: olha, eu acho que podemos nos dedicar a falar da impaciencia ou indisponibilidade</p>
<p>Moises: é isso que eu tava tentando<span style="color:#888888;">, </span>vc vê a impaciência?</p>
<p>Thiago: nao, eu vejo o joguinho, e quero que vc pare com ele</p>
<p>Moises: eu vejo a indisponibilidade: acho que vc vai me tirar ou achar que eu sou imbecil ou desorientado e fico indisponível</p>
<p>Thiago: desde o comeco vc foi indisponivel e vem dizer que e pq eu sou impaciente? poupe-me</p>
<p>Moises: não há um ambiente de borbulhas, me sinto num tribunal</p>
<p>Thiago: eu me sinto num deserto sempre abandonado, o que &#8216;e pior? o tribunal? o deserto? vc vai lutar pra provar que &#8216;e o tribunal?</p>
<p>Moises: o deserto é pior</p>
<p>Thiago: nao necessariamente</p>
<p>Moises: horrível se sentir abandonado<span style="color:#888888;">, </span>eu odeio me sentir abandonado</p>
<p>Thiago: eu to te convidando pra uma conversa sobre indisponibilidade e impaciencia<span style="color:#888888;">, </span>eu odeio me sentir abandonado</p>
<p>Moises: é horrível</p>
<p>Thiago: a gente pode detalhar cada uma delas, mas tem que partir de um pressuposto comum, se nao &#8216;e muito chato!! tem que ser admitida tua indisponibilidade e minha impaciencia<span style="color:#888888;">, </span>se nao nao tem como sair desse lodo cansativo</p>
<p>Moises: me explica a minha indisponibilidade</p>
<p>Thiago: tem uma cena que &#8216;e traumatica pra mim<span style="color:#888888;">. </span><span style="color:#000000;">U</span>ma vez que eu fiquei chorando sosinho em um bar, eu estava bebado e muito infeliz num lugar longe, eu te liguei e pedi pra tu ir me buscar e tu falou que nao tava afim, eu insisti, vc disse que nao ia e nao foi<span style="color:#888888;">. </span>&#8216;e uma cena simples mas era desproporcional,</p>
<p>Moises: não me lembro disso do bar, mas desculpa, foda mesmo, muito ruim</p>
<p>Thiago: mas isso se repetiu muitas vezes<span style="color:#888888;">. </span>Muitas<span style="color:#888888;">, </span>de nao estar disponivel pro que eu to te dizendo, de tratar isso como um incomodo, como se eu nao tivesse com essa bola toda, sei la, nao estou dizendo que&#8217;e por isso que eu fico impaciente<span style="color:#888888;">, </span>eu sou impaciente e a gente pode falar disso depois</p>
<p>Moises: sim, eu sou bem indisponível</p>
<p>Thiago: eu sinto como se vc quizesse que eu tivesse sempre feliz e cheio de amigos e alegre e qdo vc sentir falta, eu esteja la disponivel<span style="color:#888888;">, </span>mas nao da pra ser assim<span style="color:#888888;">, </span>pq eu sou bem mais pesado, mais angustiado e preciso de amor constantemente, apesar de ter muitos amigos e provavelmente ficar cada vez mais independente<span style="color:#888888;">, </span>eu preciso de uma ligacao, de um porto<span style="color:#888888;">, </span>de vc</p>
<p>Moises: eu não sei estar com vc quando vc precisa, não sei estar disponível quando vc precisa</p>
<p>Thiago: to entendendo errado ou vc esta orgulhoso disso?</p>
<p>Moises: nem um pouco<span style="color:#888888;">, </span>me faz sofrer muito<span style="color:#888888;">, </span>eu quero é exorcizar minha indisponibilidade. Eu sou indigno de amor</p>
<p>Thiago: e o que &#8216;e isso indigno de amor?</p>
<p>Moises: pergunta difícil<span style="color:#888888;">, </span>deixa pra lá, sim eu acho que eu sou bem indisponível pra você<span style="color:#888888;">, </span>sobretudo quando vc precisa, quando vc precisa de afeto, de um certo jeito que eu não sei oferecer</p>
<p>Thiago: afeto de um certo jeito que vc nao sabe?</p>
<p>Moises: sim, sim, quando vc precisa de atenção, de interlocução, de alguém pra te pegar no bar onde vc tá chorando, quando vc precisa de alguém pra ficar com vc quando vc se sente abandonado na inglaterra ou na grécia ou na espanha ou no Canada, eu não estou, eu me refugio na distância</p>
<p>Thiago: eu me refugio na distancia?</p>
<p>Moises: sim, eu não estou disponível, eu não abro o coração pra te receber, eu fecho as portas, eu fico só me defendendo de qualquer agressão, de qualquer impressão de agressão, de qualquer possibilidade de agressão&#8230;não tenho a generosidade de quem abre as portas, fico comtando os riscos de se abrir<span style="color:#888888;">, </span>com você eu não tenho a generosidade de parar de fazer os cálculos e abrir o coração e te abrigar mesmo quando vc aparece com pedras na mão<span style="color:#888888;">, </span>quando vc aparece de um jeito que eu não espero ou não sei lidar eu me fecho, fico intranquilo quando vc quer é tranquilidade</p>
<p>Thiago: eu acho que tua indisponibilidade nao tem a ver somente com defesa de uma possivel agressao<span style="color:#888888;">, </span>tem a ver com indisponibilidade<span style="color:#888888;">, </span><span style="color:#000000;">pr</span>o outro (nem que seja eu a pessoa que vc diz que ama e adora) ninguem pode ter o direito de intervir nas suas coisas ou no teu tempo, a agressao ou nao agressao &#8216;e so mais uma coisa,</p>
<p>Moises: sim, &#8216;e bem óbvio<span style="color:#888888;">, </span>nem precisa ter olhos de águia, hehe<span style="color:#888888;">, </span>comportamento de quem se fechou em um casulo másculo, um casulo que se fecha quando há qualquer ameaça imaginada, casulo que é trincheira: quer paz, prepara-te para a guerra</p>
<p>Thiago: acho que nao precisa ter ameaca</p>
<p>Moises: sim, nem precisa ter ameaça, a guerra tá armada antes de qualquer ameaça aos territórios</p>
<p>Thiago: rsss</p>
<p>Moises: as vezes invento uns incidentes de fronteira em que os poloneses supostamente atiram umas pedrinhas no solo alemão só pra ativar a Blitzkrieg</p>
<p>Thiago: kkkk<span style="color:#888888;">, </span>me fala como eu devo pensar tua indisponibilidade, como deveria ser,,, deveria aprender ficar mais na minha? mas se fico mesmo na minha tu aguenta?</p>
<p>Moises: aguento não</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Indisponibilidade e impaciencia &#8211; Sobre a impaciencia</title>
		<link>http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/21/indisponibilidade-e-impaciencia-sobre-a-impaciencia/</link>
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		<pubDate>Mon, 21 Nov 2011 03:50:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[INDISPONIBILIDADE E IMPACIENCIA Sobre a impaciencia Thiago: Acho que minha impaciencia tem a ver  com minha avo, que era muito impaciente, mas nao tenho certeza, tenho tentado algumas alternativas: nao brigar com atendentes de loja, briguei com uma no aeroporto &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/11/21/indisponibilidade-e-impaciencia-sobre-a-impaciencia/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=491&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>INDISPONIBILIDADE E IMPACIENCIA</em></p>
<p><em>Sobre a impaciencia</em></p>
<p>Thiago: Acho que minha impaciencia tem a ver  com minha avo, que era muito impaciente, mas nao tenho certeza<span style="color:#888888;">, </span>tenho tentado algumas alternativas<span style="color:#888888;">: </span>nao brigar com atendentes de loja<span style="color:#888888;">, </span>briguei com uma no aeroporto me senti muito culpado, fiquei o dia inteiro pensando nisso, geralmente tenho voltado pra pedir desculpas quando tem acontecido.</p>
<p>Moises: que saco, né, brigar com todo mundo? todo mundo é teu inimigo<span style="color:#888888;">, </span>até prova em contrário e eu sou um inimigo ao alcance das mãos</p>
<p>Thiago: nao<span style="color:#888888;">, </span>nao acho que todo mundo seja meu inimigo se vc quer comecar nesses termos, eu nao quero mais falar.</p>
<p>Moises: vc é impaciente, não é?</p>
<p>Thiago: eu sou impaciente</p>
<p>Moises: mas não é que todo mundo é inimigo, vc dizia&#8230;vc acha que é histeria?</p>
<p>Thiago: que?</p>
<p>Moises: não sei bem o que é histeria, vc acha que é? eu acho que eu sou bem histérico<span style="color:#888888;">, </span>mas talvez não no estereótipo da histeria<span style="color:#888888;">, </span>a histeria estereotípica é mais escandalosa, tipo agressiva<span style="color:#888888;">, </span>mas deixa pra lá<span style="color:#888888;">, </span>fala da impaciência, vc dizia que se sente mal com a tua impaciência</p>
<p>Thiago: sim eu acho que sao duas coisas muito diferentes a raiva e a impaciencia e as vezes se juntam<span style="color:#888888;">, </span>a impaciencia &#8216;e mais superficial, nao sei</p>
<p>Moises: não é uma estratégia pra salvar sua raiva, dizer que ela não é só impaciência, pra poder ter orgulho dela? Por que sua raiva é diferente da sua impaciência? não é que vc quer ter orgulho de alguma coisa?</p>
<p>Thiago: porque a minha impaciencia tem a ver com uma irritabilidade superficial facilmente evaporada</p>
<p>Moises: assim me parece, parece mesmo</p>
<p>Thiago: o que te parece?</p>
<p>Moises: que vc tenta salvar a impaciência profunda distinguindo ela da superficial</p>
<p>Thiago: eu nao to salvando porra nenhuma caralho</p>
<p>Moises: por exemplo, comigo vc é impaciente<span style="color:#888888;">, </span>e não é uma impaciência que se evapora<span style="color:#888888;">, </span>agora vc tá sendo impaciente porque acha que precisa se defender em um orgulho da tua impaciência<span style="color:#888888;">, </span>acha que ela é heróica<span style="color:#888888;">, </span>deve ser que é, eu é que tenho problemas com ela, não é?</p>
<p>Thiago: eu vou retomar de onde eu estava pq vc me perguntou antes no que eu tinha mudadoentao, isso de pedir desculpas e voltar pra falar com atendentes e outras pessoas tem sido um exercicio muito complicado, pq nem sempre sinto<span style="color:#888888;">, </span>mas tento tornar o dia da pessoa melhor e nao deixar a energia la nela<span style="color:#888888;">, </span>entao mesmo sem sentir tenho ido nessas pessoas<span style="color:#888888;">, </span>mas tem sido menos pessoas agora<span style="color:#888888;">, </span>isso quer dizer que nao tenho xingado tantos atendentes<span style="color:#888888;">, </span>mas eu acho que a impaciencia ativa a raiva, mas nao &#8216;e a raiva. A raiva e mais rancorosa e vingativa<span style="color:#888888;">, </span>e cria vingancas estrategicas tambem pra alem da explosao, agora que estou prestando atencao nisso e analizando com detalhamento, vejo isso claramente<span style="color:#888888;">, </span>uma &#8216;e engenheira a outra, &#8216;e uma reacao corporal<span style="color:#888888;">, </span>elas se misturam mas sao reacoes diferentes<span style="color:#888888;">, </span>a minha impaciencia &#8216;e instantanea<span style="color:#888888;">, </span>espontanea e chata<span style="color:#888888;">, </span>uma coisa chata<span style="color:#888888;">, </span>ela pode ser o pavio mas nao a dinamite, a dinamite aciona outras coisas mais baixas, digamos assim, mais crueis..</p>
<p>Moises: e por que vc é tão impaciente comigo?</p>
<p>Thiago: pq vc acha?</p>
<p>Moises: não sei, parece só falta de amor</p>
<p><span style="color:#000000;">Thiago: </span>pq vc nao &#8216;e digno de amor?</p>
<p>Moises: é?</p>
<p>Thiago: eu amo vc loucamente<span style="color:#888888;">, </span>parece um destino uma coisa enorme<span style="color:#888888;">, </span>nos estavamos indo bem, eu acho</p>
<p>Moises: meu amor também parece um destino, uma coisa enorme</p>
<p>Thiago: o ciclo do amor se rompeu por indisponibilidade e impaciencia &#8216;e muito triste! Varias coisas me irritam em vc e em mim:</p>
<p>1- vc quebra clima, o maior tranca foda do mundo,</p>
<p>2- que eu sou um puto defensivo do caralho<span style="color:#888888;">, </span>eu nao quero ser<span style="color:#888888;">, </span>tenho lido as defesas freudianas,</p>
<p>3-que vc sempre esteja procurando alguem mais interessante que eu para se apaixonar,</p>
<p>4- que eu nao consiga criar qdo vc esta perto pq nao consigo me concentrar ja que viro teu escravo, e pra romper com isso crio uma briga<span style="color:#888888;">, </span>isso &#8216;e horrivel, mas ja percebi<span style="color:#888888;">, </span>escravo da tua atencao,</p>
<p>Moises: nunca senti isso<span style="color:#888888;">, </span>parece que vc só se defende<span style="color:#888888;">, </span>nunca se escraviza<span style="color:#888888;">, </span>só quer dar ordens</p>
<p>Thiago: vc esta enganado, eu nao recebo so porque vc nao recebe nenhuma ordem, tem propensao a ouvi-las mais do que qualquer coisa, me cansa</p>
<p>Moises: Vc não tem paciência de dialogar quando vc não entende alguma coisa<span style="color:#888888;">, </span>dá pra ouvir isso? dá pra admitir que tu é bossy? ou vc não percebeu? tua impaciência é assim também: ou eu sou o dono do campinho ou to fora (pelo menos comigo)</p>
<p>Thiago: e tu &#8216;e igual a isso tambem</p>
<p>Moises: sou, sim, sou</p>
<p>Thiago: bossy &#8216;e o que mesmo?</p>
<p>Moises: bossy é chefudo, tipo dá ordens o tempo todo<span style="color:#888888;">, </span>eu sou bicudo<span style="color:#888888;">, </span>quero as coisas a minha volta, to tentando mudar isso</p>
<p>Thiago: tentando como?</p>
<p>Moises: é importante pra mim mudar isso<span style="color:#888888;">, </span>aprendendo a ser co-adjuvante, ser invisível<span style="color:#888888;">, </span>a não falar quando não precisa<span style="color:#888888;">, </span>a não lutar para centralizar as atenções e isso tem me deixado bem menos cansado<span style="color:#888888;">, </span>mas eu sou isso mesmo, bossy e mandão<span style="color:#888888;">, </span>acho que é um produto da minha indisponibilidade<span style="color:#888888;">, </span>talvez, não sei</p>
<p>Thiago: rsss<span style="color:#888888;">, </span>eu acho que esses exercicios ajudam<span style="color:#888888;">, </span>mas deve ser algo tambem de percepcao do mundo</p>
<p>Moises: sim</p>
<p>Thiago: eu nao sei, mas &#8216;e um processo enorme<span style="color:#888888;">, </span>eu sinto que entrei num negocio sem fim com essa discussao,mas pra gente conseguir ficar de boa<span style="color:#888888;">, </span>isso tem que estar presente<span style="color:#888888;">, </span>esses teus acessos de raiva e indisponibilidade assim como as minhas sao completamente desgastantes, desnecessarias, eu nao to aguentando mais<span style="color:#888888;">, </span>acho que isso &#8216;e o verdadeiro looser, nao aquele que nao consegue ficar rico,gente que nao se poe pra jogo<span style="color:#888888;">, </span>que nao &#8216;e capaz de largar de si mesmo<span style="color:#888888;">, </span>e isso &#8216;e muito preocupante no nosso caso, pq se largar por causa disso &#8216;e muito idiota,pelo menos agora parece, ja que te amo como um perdido!</p>
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		<item>
		<title>pensando sobre os riots (distúrbios) &#8211; london 08/2011</title>
		<link>http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/</link>
		<comments>http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 09:32:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://esquizotrans.wordpress.com/?p=466</guid>
		<description><![CDATA[Paulo Wayne (POA) nos mandou umas perguntas  sobre os riots aqui em London, a gente respondeu aqui embaixo, o que andamos  vendo,  ouvindo, não é um tratado, aqui vai: Quem são esses caras? Estrangeiros? Qual a reação das pessoas a &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=466&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Paulo Wayne (POA) nos mandou umas perguntas  sobre os riots aqui em London,</p>
<p>a gente respondeu aqui embaixo, o que andamos  vendo,  ouvindo, não é um tratado,</p>
<p>aqui vai:</p>

<a href='http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/cookie2/' title='COOKIE2'><img data-attachment-id='467' data-orig-size='1600,1200' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://esquizotrans.files.wordpress.com/2011/08/p190110_14-06.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="COOKIE2" title="COOKIE2" /></a>
<a href='http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/cookie2-2/' title='COOKIE2'><img data-attachment-id='468' data-orig-size='1600,1200' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://esquizotrans.files.wordpress.com/2011/08/p190110_14-07_01.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="COOKIE2" title="COOKIE2" /></a>
<a href='http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/cookie2-3/' title='COOKIE2'><img data-attachment-id='469' data-orig-size='1600,1200' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://esquizotrans.files.wordpress.com/2011/08/p190110_14-07.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="COOKIE2" title="COOKIE2" /></a>
<a href='http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/cookie2-4/' title='COOKIE2'><img data-attachment-id='470' data-orig-size='1600,1200' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://esquizotrans.files.wordpress.com/2011/08/p190110_14-08_01.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="COOKIE2" title="COOKIE2" /></a>
<a href='http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/cookie2-5/' title='COOKIE2'><img data-attachment-id='471' data-orig-size='1600,1200' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://esquizotrans.files.wordpress.com/2011/08/p190110_14-08.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="COOKIE2" title="COOKIE2" /></a>
<a href='http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/cookie2-6/' title='COOKIE2'><img data-attachment-id='472' data-orig-size='1600,1200' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://esquizotrans.files.wordpress.com/2011/08/p190110_14-11.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="COOKIE2" title="COOKIE2" /></a>
<a href='http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/cookie2-7/' title='COOKIE2'><img data-attachment-id='473' data-orig-size='1600,1200' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://esquizotrans.files.wordpress.com/2011/08/p190110_14-14_01.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="COOKIE2" title="COOKIE2" /></a>
<a href='http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/14/pensando-sobre-os-riots-london-082011/cookie2-8/' title='COOKIE2'><img data-attachment-id='474' data-orig-size='1600,1200' data-liked='0'width="150" height="112" src="http://esquizotrans.files.wordpress.com/2011/08/p190110_14-14_02.jpg?w=150&#038;h=112" class="attachment-thumbnail" alt="COOKIE2" title="COOKIE2" /></a>

<p>Quem são esses caras? Estrangeiros? Qual a reação das pessoas a este movimento?<br />
Por que colocam fogo em algumas residências? Que tipo de residências são?<br />
Reivindicam alguma coisa? Quem os organiza e articula? São bairros operários?<br />
Que desconforto cria isso tudo na terra da rainha?</p>
<p><strong>Quem são esses caras? Estrangeiros?</strong></p>
<p>São na maioria adolescentes, filhos de imigrantes, negros, africanos e alguns brancos. São tidos como gangs, mas isso é uma forma de incriminá-los. Colocaram fogo em muitos carros e arrombaram lojas, pegaram televisões, e equipamentos eletrônicos. Eles dizem assim: nós não temos dinheiro. A polícia já prendeu mais de 1000. O jornal anuncia vários tipos curiosos que foram incriminados (filha de milionário, criancas de 12 anos, professores secundários, etc).</p>
<p>São sublevados. Em estado de fúria contra os esquemas de empobrecimento e humilhação: uma crise econômica que deixa todo mundo desempregado, um governo que quer acabar com todos os mecanismos de bem estar social – acabar com o que eles chamam de cultura do alguma-coisa-em-troca-de-nada – inserido em uma cultura de celebração da homogeneidade dos valores de classe média: sucesso profissional, dinheiro e comodidade para uma família funcional (ainda que com espaço para formações familiares menos típicas). A reação da imprensa tem sido  demonizar as pessoas que não tem aspiração – a palavra-chave: aspiração a se tornarem vencedores. A imagem que o governo parece impor é a de que os pobres merecem ser pobres porque são criminosos mesmo – e os mecanismo de bem-estar social estão apenas alimentando os delinquentes.Ou seja, são indignados contra tudo isso, não do tipo que acampa na praça, mas do tipo que faz a ação direta.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Qual reação das pessoas a este movimento.</strong></p>
<p>A crítica mais radical a eles, por parte dos ativistas, é que usam violência para adquirir coisas. Outros dizem que não são contra o consumismo e são devotos ao capitalismo. Essa crítica é uma bobagem. Eles dizem: fazemos isso porque não temos dinheiro. E as pessoas criticam isso por não ser razão suficiente para saque. Mas isso é a melhor razão possível, por que exatamente eles não tem dinheiro? Eles apontam justamente para o problema: PARA ELES NÃO TEM DINHEIRO!!</p>
<p>Os saqueadores insuflados foram os únicos que enfrentaram com violência o controle excessivo da polícia britânica. As pessoas morrem de medo, tem insônia, pensam que as gangs de negros vao destruir suas casas e suas vidas. Olham a BBC e tremem no escuro. Não saem as ruas pela noite, e ficam vidradas na TV e na net. Tem medo que os negros tomem o poder, pensam que são todos mulcumanos, terroristas, confundem fatos historicos, revolucoes geopoliticas. Há um medo geral de que os imigrantes se revoltem – isso é parte do imaginário branco. Há uma ressonância de Breivic (o norueguês que saiu matando jovens em um acampamento no mês passado) e as instituições de proteção à cultura e aos hábitos ingleses (como a EDL, English Defense League), instituições que crescem.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Por que colocam fogo em algumas residências? Que tipo de residências são?</strong></p>
<p>São residências de desconhecidos. Que não são seus protegidos, são prédios, lugares possíveis, que tem alguma entrada, estão mais preocupados em criar um estado de resisistência, com fogo,  do que procurar o lugar simbólico por excelência. Fazem o que podem. &#8220;Nós queremos mostrar aos ricos que nos fazemos o que queremos&#8221; &#8211; diz uma riot girrrrrrl;<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Reivindicam alguma coisa? Quem os organiza e articula? São bairros operários?</strong></p>
<p>Sao bairros operários e de imigrantes. A coisa mais controversia é que acabam assaltando ou quebrando lojas de outros imigrantes, negros contra turcos, por exemplo, e os turcos se organizam para defender suas lojas (como aconteceu em Dalston, aqui no Hackney). De fato não conseguem em geral quebrar lojas de grande porte, ja que a seguranca é muito maior, assim como a vigilância e todo aparato financeiro. Sua performance é feita com o que é possível, e o possível, muitas vezes, são as lojas de outros imigrantes que moram na vizinhança. Em alguns casos, entretanto, houve ataque a lojas grandes, em Birmingham e Croydon, por exemplo. Estas lojas arderam. Eles fazem o que podem, em Londres houve saques em Oxford Circus e em Notting Hill &#8211; lugares elegantes, assim como a filiais do Tesco,  uma cadeia de supermercados.</p>
<p>A reivindicacao é o “estado revolucionario”, a critica aos cortes que sofreram na saude e na educacao,  o entusiasmo com outras lutas politicas do mundo, como na Tunísia, na Grécia, no Egito etc. Nervo solto, não tem a paciencia dos ativistas profissionais, e não querem fazer reuniões incessantes, nem para acampamento em praças – muito frio este verão, é preciso fogo para aquecer.</p>
<p>Mas estão sendo pegos como ratos. E como bodes espiatórios. Basta ter sido capturado pelas cameras de vigilância, ou serem vistos observando as ações,  que já são incriminados, uma forma de manter as pessoas em casa, medo de serem acusados e condenados culpados.</p>
<p>A articulação é espontânea, não existe projeto (aparentemente), nem líder politico, são  gangs revoltadas. Elas se organizam em regime de rede por meio de celular e bluetooth. A liderança é difusa – há uma presença importante de meninas.<br />
<strong></strong></p>
<p><strong>Que desconforto cria isso tudo na terra da rainha?</strong></p>
<p>O governo fica muito temeroso de ter uma revolta violenta em grande escala. Tentam criar um consenso pela lei e pela ordem – um consenso à direita. A repressão está sendo e vai ser violenta. A polícia está se militarizando – com permissão a usar balas de plástico e canhões de água, armas nunca usadas na Grã-Bretanha antes (só na Irlanda do Norte). O governo se utiliza das manifestações para endurecer e – assustadoramente – pode estar ganhando popularidade com isso.</p>
<p>Mas o espírito issurreto, que não aceita conversa mole, ficou patente no país todo. A revolta disparou rapidamente. Entre a lei e a ordem tão cultuadas pelo governo, e a tomada das ruas e  dos poderes ha pouco mais que um triz. As massas: se houvessem três vezes mais pessoas na rua, seria impossível apresentar tudo como &#8220;nada mais do que uma onda de crimes em proporções gigantescas&#8221;.</p>
<p>Os novos passos agora, que estão em todos jornais são trancar chamadas de celular em locais de enfrentamento, não permitir a passagem de informacao pelo twitter e facebook, que conforme relato oficial da polícia e do governo, são onde os rioters se organizam.</p>
<p><strong>Sobre a manifestações de solidariedade:</strong></p>
<p>Estivemos ontem em uma marcha (<a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/13/hackney-last-days-082011/">http://esquizotrans.wordpress.com/2011/08/13/hackney-last-days-082011/</a>) de Hackney a Tottenham, bairro de muitos negros onde comecaram os distúrbios no inicio de agosto apos a polícia ter matado um motorista de taxi. O tom da marcha era de descriminalizar e politizar os saques. Um dos slogans: culpem os Tories (o partido conservador no poder) e nao os nossos filhos. A ideia era culpar o governo, os cortes, o cinturão de proteção aos banqueiros, o racismo da polícia. A marcha não causa transtorno, a policia a acompanhou de perto, passo a passo. A eficácia como protesto de uma marcha assim é limitada, já que ela não ataca a estrutura de tomada de decisoes e é facilmente apropriada pelo bipartidarismo compulsorio no pais.</p>
<p>Temos a impressao, dado o triunfo do governo nesses dias que se seguem aos distúrbios e a decepção de muitas ativistas, de que o governo e a ordem terminaram fazendo ponto. O governo conseguiu reunir apoio para suas medidas de seguranca e ordem e de extender este apoio aos cortes nos benefícios &#8211; ja que o pobrerio é todo delinqüente mesmo&#8230; Mas as conseqüências das suas politicas ainda serão sentidas em muitas partes do pais e mais tumultos, eles sabem, virão.</p>
<p>esquizotrans (fabiane borges, hilan bensusan);</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/esquizotrans.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/esquizotrans.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/esquizotrans.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/esquizotrans.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/esquizotrans.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/esquizotrans.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/esquizotrans.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/esquizotrans.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/esquizotrans.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/esquizotrans.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/esquizotrans.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/esquizotrans.wordpress.com/466/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/esquizotrans.wordpress.com/466/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/esquizotrans.wordpress.com/466/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=466&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>hackney last days 08/2011</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Aug 2011 23:27:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[riots in hackney march to tottenham green &#8211; 13/08/2011<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=409&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>riots in hackney</p>
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<p>march to tottenham green &#8211; 13/08/2011</p>
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<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/esquizotrans.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/esquizotrans.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/esquizotrans.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/esquizotrans.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/esquizotrans.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/esquizotrans.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/esquizotrans.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/esquizotrans.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/esquizotrans.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/esquizotrans.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/esquizotrans.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/esquizotrans.wordpress.com/409/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/esquizotrans.wordpress.com/409/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/esquizotrans.wordpress.com/409/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=409&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Minutos de sabedoria esquizotrans</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jul 2011 09:38:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ando inebriada de sonhos Logo tropeço e dou de cara com o niilismo, Joelho no chão Mundo nas costas, Dirijo meus passos-pesados ao próximo bar Peço cachaça preta, Lanço maldições e saúdo os poetas decadentes que encantam adolescentes e assassinam &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/07/30/minutos-de-sabedoria-esquizotrans/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=380&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ando inebriada de sonhos<br />
Logo tropeço e dou de cara com o niilismo,<br />
Joelho no chão<br />
Mundo nas costas,<br />
Dirijo meus passos-pesados ao próximo bar<br />
Peço cachaça preta,<br />
Lanço maldições e saúdo os poetas decadentes que encantam adolescentes e assassinam as manhãs<br />
dia seguinte durmo<br />
sonho com carniças<br />
acordo com fome,<br />
ninguém para me adorar&#8230;<br />
meus olhos continuam azuis<br />
mas pálpebras gordas perturbam minha nitidez,<br />
sonhos carcarás voam lá em cima<br />
e cagam em mim<br />
aproveito para alforriá-los</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/esquizotrans.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/esquizotrans.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/esquizotrans.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/esquizotrans.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/esquizotrans.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/esquizotrans.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/esquizotrans.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/esquizotrans.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/esquizotrans.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/esquizotrans.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/esquizotrans.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/esquizotrans.wordpress.com/380/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/esquizotrans.wordpress.com/380/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/esquizotrans.wordpress.com/380/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=380&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>bodas negras na laboral &#8211;</title>
		<link>http://esquizotrans.wordpress.com/2011/07/25/bodas-negras-na-laboral/</link>
		<comments>http://esquizotrans.wordpress.com/2011/07/25/bodas-negras-na-laboral/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 25 Jul 2011 11:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>esquizotrans</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Conhecer a annie sprinkle e trabalhar com ela foi um privilegio. Com muita seducao e delicadeza, ela foi levando todo o grupo de artistas e residentes da Laboral a se envolverem na sua proposta. Ela e beth stephens estao casando &#8230; <a href="http://esquizotrans.wordpress.com/2011/07/25/bodas-negras-na-laboral/">Continue lendo <span class="meta-nav">&#8594;</span></a><img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=esquizotrans.wordpress.com&amp;blog=2774096&amp;post=357&amp;subd=esquizotrans&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Conhecer a annie sprinkle e trabalhar com ela foi um privilegio. Com muita seducao e delicadeza, ela foi levando todo o grupo de artistas e residentes da Laboral a se envolverem na sua proposta. Ela e beth stephens estao casando por ahi ja faz um tempo, com elementos da natureza&#8230;  bodas prata, branca, azul, cada vez escolhem um elemento e uma cor, pra realizar as bodas.</p>
<p>O trabalho tem toda pegada frick,  divertidissimo de fazer. Festival de horrores.  Elas conseguem criar uma situacao em que as pessoas colocam na roda o que elas tem de melhor, e a boda que participei, a boda negra, casamento com o carvao, nao poderia deixar de ser assim, frick e divertido.</p>
<p>O que me entusiasmou mesmo no trabalho, foi essa olhada erotica para a natureza, com um sentido clownesco, com exercicios sexuais,&#8230;.   aqui coloco algumas fotos&#8230;</p>
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