brenda comendo david

brenda comendo david

 

Nem gostava de brincar de bonecas – mas apalpava elas, as esfregava na genitália, queria comer elas todas, enfiar alguma coisa gigante em algum buraco escondido delas e faze-las dar gemidinhos. Nem gostava de brincar de metralhadoras, apenas apalpava cada uma delas entre as pernas querendo que aquela força metálica, aquela solidez firme, aquela capacidade de ser mau elemento estivesse enfiada na sua boca ou em algum buraco escondido entre suas pernas – algum buraco que nunca soube para que serve. Com oito meses aconteceu-lhe uma fimose pelo caralho e algum profissional de branco o descaralhou em oitenta porcento. Mãe e pai, vendo a abjeção solta entre as pernas de David, sairam catando profissionais de branco. Primeiro veio um homenzarrão aberrante com os cabelos delgados e ofereceu, como quem oferece chocolates a uma criança, uma vagina completa; e ofereceu com sua parca psicologia dos pré-adolescentes – algum manual mal lido nos tempos de escola deve ter sido tudo o que o John Money deixou penetrado pela sua cabeça acerca os rostos com espinhas – ele ofereceu uma vagina completa:

– Você vai poder ser mãe com esta vaginona, vai poder ser uma mulher de verdade, sem receios, ter uma família e um homem pra chamar de seu…

– Eu prefiro não.

Money chamou mesmo o irmão gêmeo de Brenda ou de David e pediu que ele ficasse em uma posição de quem estava comendo uma buceta imaginada entre as pernas do irmãozinho. A irmãzinha, e seu parceiro que deveria enfiar a tal trosoba, ficaram tremendo, assustados, tremendo, sem respiração. Money chamou uma legião de beduínos sexuais para mostrar a importância de ser mulher com toda sanha, toda biologia. David, embaixo de Brenda, pensava: é só o que eu tenho entre as pernas que é digno de amor? Sou um perdedor.

– Eu prefiro não.

Brenda disse que não punha xoxota – mas assim, no meio entre o que entra e no que entra não dá pra ficar; os pais trataram de encontrar um jeito de eliminar aquela genitália sem órgãos. Levaram Brenda a um outro hospital, outro avental, outra teoria geral acerca da cabeça, do púbis, da casinha e do carrinho: Milton Diamond disse que punha pau em Brenda e ela poderia brincar com suas escopetas de plástico sem destoar. Meto pinto na menina, Diamond disse, e ela fica como veio ao mundo antes de ser fudida pelo primeiro médico. Um pau pra Brenda, ele anunciou, e David, com os olhos espremidos:

– Eu prefiro não.

É o que é natural para David, veio loquaz um doutor, Colapinto: com o pinto nela, ela volta as suas origens, a como a Mãezona Natureza, colossuda, cheia de planos, a fez. Colapinto dizia que foi cruel, cruel tentar meter uma cabeça de menininha na Brenda só porque ela não tinha mais o membro – membro se contrói, ele fazia, cabeça ninguém contrói. Uma vez que David nasceu David, não adianta tentar vesti-lo com cuequinhas rosas, uma menininha não se constrói. Puseram um falo na Brenda:

– Eu prefiro não.

Nos errantes da vida, estas calamidades se aceleram com uma trouxa branca para a morte com um negrinho escondido embaixo dela. Chegou quem você esperava – agora é só se recompor. Ajeita o cuecão, enfia a calcinha no rego; faz de conta que você não é abjeto, é naturalmente homem, mulher ou calango. Não fique plácida, ajude a revisar todas as notas comparadas do DSM-5 como se fossemos feitos de órgãos em bom funcionamento.

– Eu nem prefiro isso.

 

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