conversa granada/madri – 25/05/2008

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[18:44:18] Hilan Bensusan: fabi, olha só: quando você escreve assim ”’…os estranhos movimentos humanos que não se organizam em passeatas, nem em sindicatos, mas insistem em determinados gestos, do que falam esses gestos para além do nosso olhar viciado demais numa lógica que nunca contemplou a todos e jamais o fará?” (no texto que a gente mandou pro empyre), você não está supondo uma espécie de ordem (a lógica, os paradigmas de inteligibilidade) acerca do qual há que diferir – não há aqui também uma imagem de subverter um eixo estabelecido?

[18:45:21] … pergunto pra entender melhor seus problemas com a idéia de queer contra a ordem – as vezes entendo, as vezes confundo… minha cabeça…

[18:48:14] fabi borges: acho que sim…. mas há uma idéia de alargamento do sócius e não de inclusão… e acho que em relação a sexualidade, ela já conquistou algum espaço que permite que ela fale do seu próprio ponto de vista

[18:48:26] … me incomoda a batida constante no heterosexualismo

[18:49:19] … pois é uma forma de desejo, o que ele representa pode ser convulsionado, mas não é esse desejo em si que merece tanta paulera

[18:50:24] … quando falo de alargamento do sócius, falo das formas de produção de mais gestos, mais e mais percepções sobre o gesto… para alargamento das estruturas de mobilidade e das estruturas de inteligibilidade

[18:50:25] … vixi

[18:50:30] … no lo se explicar, pienso

[18:50:43] Hilan Bensusan: gosto de alargamento do socius ao invés de inclusao

[18:51:47] fabi borges: e posso cair nisso constantemente, porisso sei identificar quando vc cai, pois é uma idiossincrasia que as veses me parece muito fácil

[18:52:04] … uma estrutura vertical com a qual me debato contra

[18:52:13] Hilan Bensusan: o heterosexualismo: o problema não é a prática mas é entender sexo como heterosexo; por isso Wittig diz que o sujeito lesbiano não faz sexo, ela abandona a idéia de sexo nas maos da imagem da erotica heterossexual – combater a matriz heterossexual é, muitas vezes mas não sempre, tentar alargar o socius

[18:53:40] … eu também não gosto do discurso normativizante da butler etc, parece que estamos condenados a inteligibilidade, a ter uma matriz etc – acho mais interessante pensar em termos de experiências corporais (gestos) que escapam das normas e que sao condições para pensar nelas

[18:54:00] fabi borges: é… mas é melhor deixar isso mais claro, pois nos nossos textos tem aparecido uma viva idéia contra heterosexual sem essa idéia de alargamento do desejo, e sem identificá-lo de forma evidente com as idéias de poder, propriedade exploração

[18:54:26] … mas qual a saída

[18:54:27] Hilan Bensusan: por que a norma é inclusiva, ela entende a exceção como uma exceção – em relação a ela mesma

[18:54:52] fabi borges: e como se pensa diferente disso/? qual a saída?

[18:55:18] Hilan Bensusan: sim, acho que coisas telegráficas que escrevemos as vezes já pressupõe coisas que nós precisaríamos explicar para certos públicos

[18:56:16] fabi borges: eheheestoy decididahehe

[18:56:20] Hilan Bensusan: essa é justamente meu drama em E&E (excessos e exceções): no final encontro que a singularidade pode ser pensada em termos de uma dinâmica… uma dinâmica que pode ser de normas. é por isso que…

[18:56:45] … falo de singularidades em fuga etc

[18:57:01] fabi borges: pois é

[18:57:38] Hilan Bensusan: a idéia central do livro foi uma que tive em uma linda manhã de sol nas águas belas

[18:57:55] fabi borges: imagina os moradores da rua, os mais terrivelmente parasitas e nomades em uma estranha rebelião que não reivindica participação na sociedade de controle

[18:57:57] Hilan Bensusan: por isso que o capítulo onde ela aparece se chama “areia, enfim”.

[18:58:05] fabi borges: qual idéia

[18:58:20] Hilan Bensusan: seja realista: queira o impossível

[18:58:31] fabi borges: pois é

[18:59:03] Hilan Bensusan: mais maio de 68: eu tomo meus desejos como realidade pois creio na realidade dos meus desejos (grafiti)

[18:59:05] fabi borges: de certo modo o ativismo europeu que reivindica salário vitae e que diz que “nem um ser humano precisa de papéis para existir e ir e vir” é muito corajoso

[18:59:30] … e inventa um impossível

[18:59:39] Hilan Bensusan: sim, mas um pouco inclusivo e um pouco especista

[18:59:55] fabi borges: sei

[19:00:06] … como se fala do queer a partir dele mesmo?

[19:00:53] Hilan Bensusan: é preciso assaltar a linguagem – a linguagem é uma maquina (normativa) de inclusões… por isso eu boto fé na écriture feminine etc

[19:01:09] fabi borges: e mais, como se abre o código de inteligibilidade a essas questões para pessoas que partem do pressuposto de que isso é anarquismo e que eles não se identificam com esse pensamento

[19:01:29] … quando falamos em gestos, estamos super abrindo a linguagem

[19:01:37] … e nos sígnos

[19:03:37] … mas a essa outra escritura, eu boto fé também, mas é preciso ter nuance, eu não sei, nossos artigos me parecem mais de guerrilha urbana do que ecriture feminina eheheheh

[19:04:04] Hilan Bensusan: as singularidades – acho que foi isso que comecei a pensar naquela manhã em águas belas – são assim como a reta de spinoza, não podem ser encontradas se não houver um tempo passando o tempo que vai incluindo mas que sempre fagocita um fora – o que interessa é o fora, não o que está fora (e é o fora que faz as singularidades, e não aquilo que já havia antes de haver fora e dentro)

[19:05:11] fabi borges: em relação ao queer noise isso seria bem o que?

[19:05:28] Hilan Bensusan: eu sei, estamos procurando um tom – e acho que experimentar é a melhor coisa que se pode fazer para fazer política ou escrita política

1 comentário

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Uma resposta para “conversa granada/madri – 25/05/2008

  1. estamos na acessando o blog…..
    abs,
    bailux

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