Vida nua, pelada

Estávamos num seminário sobre “vida nua”, analisando os campos de concentração nômades contemporâneos que a vida era domada com voracidade por alguma sociedade de controle selvagem. Estamos exaustos com tanta devassidão, biós e zoé desejadas; quando saímos saiu um clima de real concentrado, nos afunilava os olhares, os desejos e os brios. Aquele rapaz chegou, o vj, que sempre tinha os comprimidos de cogumelos secos ressecados no forno do fogão da sua casa. Alguns de nós tomamos algumas pílulas caseiras e isso parece que foi uma energia mobilizadora de todos que estavam naquela super quadra.

Lisérgicas e todas fomos para um quarto de motel. Estava ocupado, mas entramos mesmo assim. Estava a beatriz preciado com jodorowisky. Ela enfiava o seio esquerdo no buraco do umbigo do alejandro, atônito. Se não formos capazes de transformar os desejos, o que mais poderíamos transformar? Enquanto houver meu corpo, minha carteira, um dispositivo de controle e sufoco, haverá uma torrente de horchate de chufa escorrendo pelos pirineus. Quis deitar ao lado do bafo do cu da Beatriz Preciado, mas quando me dei conta já estava Jobelle com sua língua torta enfiado no rego da Bia, Eu abracei o coração do Alejandro, eu e o Betinho, os dois com franjinhas.

Imagina, a Jobelle só me levaria para o motel se ela dissesse com os ombros ou com o órgão mais explícito do seu corpo – alguma coisa assim: Eu quero chupar teu clitóris e as tuas mamilas e dar tapinhas na tua bunda com o teu cheiro e não importa mais nada, quero ser tua escrava e satisfazer tuas vontadezinhas mais sacanas, meu tandodando. Afora isso era muito fora do circuito do meu desejo seu sotaque esquisito, sua voz convonvalescente, seus gestos miudos e seus olhos puxados para baixo. Mas Jobelle era a mais afoita quando chegamos ao motel. Queria Ale, e queria todo. Em dez minutos o jodorowsky já nem lembrava do filho, da beatriz, nem de mim, era todo boca nos peitos da Joba, e gritava que era ela a gostosa da fronteira.

Parei de me lembrar de quem era o dono de cada corpo; parei. Sei que havia também um pinto que era íntimo, um cachorrinho semi-domado da minha vontade de selvageria, aventura. E ele: eu amo cada uma das tuas rugas, das tuas rugas histriônicas, deliberativas. Pus minhas mãos sobre a cara, torta, minha vida pelada naquele motel com espelho na parede, espelho no teto, paus carnudos na tela grande. Fui para a sauna; levei o VJ comigo, melancólico e gracioso. Queria todos os centimetros dele; ele me entregava a goela, latejante, potência em forma de fluxo incontido. Era a goela, eu fiz minha buceta de gazela, pernas levemente curvadas. Pão em migalhas. E tanto fôlego tinha a Beatriz arfando na minha nuca, a força motriz de desenove xoxotas encarrilhadas, encaracoladas, encarniçadas.

Na cama com Preciado, jodorowisky, marcelo expósito e Lazzarato. Ele queria ver eu me masturbando, ela queria enfiar seu jimy hendrix na minha xota, Expósito queria explicar-me algum desejo lascivo e esquivo difícil de explicar. Eu o interpelei pedindo os três. Meu corpo é a pacha mama, comam do meu pão e bebam do meu vinho. Ele, o intelectual do cognitariado chupava meu sangue menstrual como se fosse a própria seiva da vida e quanto mais bebia mais se empreguinava de uma estranha volúpia que o fazia criar teorias incríveis e dizia: A nova revolução não precisa tomar o Estado, abre mão da guerra de classes, precisa do corpo e da subjetividade do sexo. Nisso ela concordava, com a boca lambuzada nos meu seios e gemia: não é possível esquecer o baixo ventre e os seios da revolução. Ela é uma mulher macho, a revolução. Danem-se os donos dos restaurantes e dos motéis como Llançá Port que só pensam no lucro do seu little business e não se dão conta da importância da literatura. E nesse momento de poucos dedos para muitas teclas, de muitos garçons para pouca comida, de muita eletricidade para pouca tomada, de muitos olhos para pouca carne, gozei.

Eu era a própria fonte de emancipação do corpo, do pensamento e do entre isso tudo. Eu a pornografia, eu a necessidade, eu a ontologia, eu a potência, eu o corpo dado que já não cabe mais em si muito menos num eu com rosto. Eu vazava. Nua. E a gosma que saia era uma fonte de eletricidade perpétua, como um Buda que esporrasse água, terra, fogo, torta de chocolates e que abençoava ao seu pé quem escrevia sem vergonha mesmo que os homens de preto nos sepultassem com um granel de terra por cima. O mundo é um motel.

A porta do quarto abriu e entrou um pessoal do Terceiro Mundo, um pouco fedido, um pouco cheio de perfume belga mal usado. Em farrapos. Era uma guria redonda, especialista em camisinhas de morango para dildos pretos, um homem de barba meio branca que sussurrava húngaro como se fosse língua de fornicar e uma bunduda, mestiça, uma espécie de Chaveca Granda tropical. É que o terceiro mundo me cansa, são tantas demandas, parece que nunca vai haver caralho pra tanta xaninha miúda. A bunduda gemia por antecipação, “eu sou Suely, a que comeu Jean Jacques Rousseau”. Ai. Ela foi tirando a blusa e parecia que queria mostrar as credenciais e as cicatrizes a flor da pele. E eu já toda gozada, já toda lazzaratta me entreguei aos caipirões. E a Suely, bunduda gozava com a trosoba dela fora dos meus platôs e em cima da minha dobra. Gemi um pouco mais que o bom dessa coisa de sexo é o noise, é o gemido, o resto é rasteirinha, é vassoura de piaçaba. Nem deixei carne no prato. Acordei com o nariz entupido.

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