Um antigo manifesto da dissonância tática

MANIFESTO EM FAVOR DAS TRANSTRANSAS

Que brilhem as cores do arco-íris, todas as dissonâncias à ordem sexual que regula o que temos que desejar em nome de uma imagem do que é uma fricção de corpos aceitável. Essa ordem sexual é feita com a exclusão repetida dos desejos que saíram pela culatra, com o menosprezo a todos os corpos moldados por histórias de vida diferentes, com a repressão a tudo o que é degenerado – o que não obedece cegamente aos fascismos de gênero. Que brilhem as dissonâncias, que possamos transitar pelas categorias discriminatórias e encontrar nesta universidade:

· bibliotecárias travestis,

· professoras transexuais,

· grupos de estudantes que nasceram de vagina jogando truco e exibindo os músculos e o volume entre as pernas,

· reitores hermafroditas,

· decanos decidindo que na semana que vêm serão decanas,

· diretoras que se vestem como os diretores,

· funcionárias que nasceram com a mesma genitália das funcionários

e toda a dissonância que a ordem sexual estabelecida (que é econômica, bem entendido) joga nas ruas da prostituição e depois arranca das ruas da prostituição para produzir uma cidade hetero-asséptica. E as pessoas que nasceram, cresceram, pagaram impostos e tiveram a força de um desejo intenso que ultrapassa até o desejo tão disseminado de conformar ficam sem ter o que comer, onde morar e como continuar vivendo com seus desejos estrondosos (e escandalosos). Queremos viver com o estrondo destes escândalos.

Por isso declaramos que:

– queremos universidade para todos, para todas e também para quem não quer ser parte dos todos e das todas.

– queremos mais dissonância, menos repetição, mais mutação, menos padrão.

– exigimos que nossas admiradas companheiras de transe, de trânsito e de transição possam ganhar seu dinheiro para a feira pelo menos com os recursos frágeis que os regimentos e hetero-mandamentos permitem.

– temos direito a não sermos reféns de uma compreensão direitista e marcada por conceitos prévios que dita: vulnerabilidade significa ser menos.

– mas não é unicamente pelo direito de amar e trepar ou “amar ou trepar”, encontrar, friccionar, alisar, lamber, mordiscar de maneira torta, quasi-torta, semi-torta, mas pelo desejo de fazer isso pra expandir, até a explosão, as maneiras conformadas de nos misturarmos.

– então saímos pela tangente de padrões que opõem força à vulnerabilidade e estão ligados a concepções fixas (fixações) do que é mais ou menos feminino, pouco ou muito masculino, errado, certo, bonito-feio, asséptico-sensual apreensível-ou-abominável (“tsc tsc tsc”).

3 Comentários

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3 Respostas para “Um antigo manifesto da dissonância tática

  1. rosaecarvao

    certeiro como uma flecha, mortal como veneno, delicioso como torta de morango…cada vez acho coisas mais legais nesse blog.

  2. Victor

    Grupo Queerrrr!?!?!

    auuaua isso muito me interessa… Tem algum email para contato??

    Abraços

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