PUTA ONTOLÓGICA

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Puta Ontológica,

por fabi borges

Ela disse, eu sou puta, tu é só uma ameaça, um arremedo. Tu quer reivindicar o nome puta só pra ti porque não admites outras nuances que fogem da tua experiência, eu disse. As vezes eu acho que ela sabe que sou melhor puta que ela, por isso me faz sofrer mais do que as outras, porque quer que eu tenha noção de companheirismo, quer que eu tenha sentimento de classe. Me acha individualista e extravagante, uma puta inconsciente de toda humilhação histórica das mulheres e mais ainda das prostitutas. Eu vejo tudo isso, tu me subestima, eu disse, só que não sou autopiedosa, não tenho pena de ninguém e associação pra mim funciona por sincronia e não pelo velho esquema de organização de classe. Sou puta cult. Eu quase parei de me chamar de puta pela tua histeria, tu quase me convenceu que não tenho talento, mas vou te dizer a verdade, tenho muito talento e nenhum princípio. Às vezes bêbada me contavas histórias de solidão que me fizeram sofrer muito por ti. Abortos em banheiros de botecos vagabundos, cheios de homens gritando teu nome na porta de fora, rindo de ti, muitos sabendo que podia ser um deles o culpado, e isso era uma piada, se acusavam entre si, é tu, é tu, enquanto tua barriga doía e tu não morria. Outra vez fostes encontrada quase morta na rua, bexiga arrebentada, hérnia, coluna, gastrite, úlcera, todos teus órgãos se rebelaram contra tua forma de vida, só outra puta mesmo para te salvar, te levar pra casa, te alimentar, cuidar de ti como talvez tu nunca tenha cuidado de ninguém. Tu têm muitas histórias doídas, por isso te sentes heroína. Por isso pensas que és superior, por isso te negas aprender o que quer que seja. Tu é convencida, o sofrimento te fez vaidosa, tu te acha especial, uma sobrevivente como poucas. Tu me humilhou naquele dia na frente de todas as outras putas, me dizendo que meu desejo de ser puta não passava de covardia diante do mundo. Que eu tinha outras oportunidades, mas não suportava dificuldades. Que todo esse movimento de quadris que eu tinha desenvolvido e acreditado que era talento não passava de uma fuga do mundo que estava preparado para mim: o mundo das negociações, dos discursos, das articulações políticas e financeiras, do colocar a cara a tapa para ver se eu era competente em outras áreas. Talvez seja uma mistura disso tudo e tu estejas certa. Foi por ser sexualmente livre, mas totalmente sem confiança que desenvolvi um ritmo sexual que enlouqueceu tantos homens, com os quais nunca tive filhos, quase nunca precisei cobrar nada para receber tudo o que eu queria e nunca fiquei mais tempo do que o necessário. Talvez seja porque sou cética, porque não acredito no amor ou melhor, porque acredito tanto no amor que sou capaz de amar tantos quantos eu tiver paciência. Algo de talento e carisma de puta existe em mim, e fico tentando entender que imaginário é esse que se colou na minha nuca para eu achar que não quero saída. Seria uma vontade de ser subalterna, tratada como descartável? Para mim não existe outro caminho mais sedutor que eu poderia recorrer. A vontade de ser puta, de ser sustentada pelo prazer que eu possa ter e dar, dar, dar, de ser livre e nunca ter nenhum cafetão sempre foi alvo da tua inveja. Tu que passastes por tantos caminhos parecidos com os meus, que no final te trouxeram desonra. Violência. Tu nunca entendeu a ontologia das putas. O desejo ontológico que foge da apreensão de classe, de exploracão e mais valia. Tu nunca foi a fundo nos teus desejos escusos. Tua vontade de ser puta se reduzia a um paradoxo até simples que te excitava, que ficava entre tua formação cristã e tua rebelião contra essa formação, tua rebelião carregava o signo do que para ti tinha de mais pecaminoso: a prostituição. Tu te utilizavas da prostituição para lutar contra tua culpa cristã, e tua culpa crista nunca te abandonou por causa disso, tu criou um círculo vicioso em torno de ti mesma e cada vez te afundou mais. Já eu, nunca precisei trabalhar com contradição nenhuma, porque não fui criada no pecado, não tive formação de culpa e sempre galopei solta pelos campos onde me exibia desde pequena aos peões, aos pescadores e aos touros bravos. Tu teve um pai austero, eu não tive pai. Tu teve uma mãe religiosa, eu tive uma mãe louca. Tu teve irmãos mais velhos eu tive só eu e o mundo. Tu tenta me alimentar com tua sabedoria, mas na verdade queres me submeter a doses de culpa e vergonha às avessas para me sentir mais próxima da minha turma. Mas tua turma é a culpa e eu não quero culpa eu quero tu. Tu é a única que podes me entender. Me reconhecestes no bar desde o primeiro dia que me vistes, mesmo que eu estivesse disfarçada de óculos de grau, livro nas mãos, cigarrilha vermelha e pagando minha própria bebida. Tu mandou o garçom me entregar um uísque vagabundo com um bilhetinho dizendo: senta aqui. Como tu adivinhou que eu aceitaria? Tu uma velha feia com um batom vermelho que fugia dos teus lábios e escorriam pelas beiradinhas enrugadas da tua boca. Tu quase me deu pena, mas quando vi teus dedos amarelados de cigarro, os teus dentes escurecidos, te amei. Invejei cada um dos teus traços. Te fiz minha mestra. Te respeitei profundamente para que me ensinasses tudo o que eu não sabia. Te tornastes minha sorte, meu salto, minha mais profunda alegria. Me contavas dos gestos de sedução, cada um deles. Eras pedagógica. Desenvolvestes um roteiro de olhares, de toques, de beijos, de maneiras de utilizar a língua. Pesquisastes a fundo os pontos de prazer do corpo. Os contos a serem contados no ouvido, os ruídos importantes para o coito. Eras a mestra mais deliciosa. Te enchi de presentes, de perfumes, de roupas de bom gosto, cortei teu cabelo eu mesma e te deixei fashion. Me contavas dos poderes de cada dedo, das cores das unhas e das cancões de ninar. Nesse tempo estávamos como apaixonadas, andávamos de mãos dadas no entardecer, atirávamos pedrinhas no mar, tu que colecionava pedras eu só as catava pra ti. A segunda fase foi mais densa. Contavas da violência. Dos tempos difíceis nas ruas das cidades grandes da América Latina. Das drogas pesadas que usavas, das bebedeiras sem fim, dos homens quaisquer que catavas nas ruas desesperada, daquele cafetão que te fodeu a vida, que te roubou, que te deu essa cicatriz na cara que eu gosto tanto mas que te lembram épocas sofridas. Me contavas o quanto fostes valente ao baleá-lo no joelho, de o ter aleijado e de nunca mais ter voltado à Colômbia. Da paranóia que entrastes por achar que estavas sendo perseguida, que ele mandaria medir o teu caixão, dos dias insones depois de tantas caronas em caminhões, de carroças, do estupro feito por um índio que era da tua mesma longínqua etnia e que te fez entender que minoria não era só afeto e união como costumavas pensar. Das fugas por entre as ilhanas da Amazônia, da beleza de um boto com quem fizestes amor em Novo Airão. Do boto que te fez carinho, que te levou para nadar pelo Rio Negro, que te ensinou a acreditar de novo em mito, e em toda sorte de lenda, que te ativou a fantasia que te devolveu o brilho da pupila. O boto que dizes ser o peixe que ama as putas, ele próprio puta. Naveguei nas tuas lágrimas vertidas pelo único filho que tivestes, que segundo tu mesma é filho do boto cinza, que deixastes escapar das mãos na inexplicável tempestade que vivestes em um rio cor de láudano. Dos cerca de 50 homens por dia que atendestes no garimpo, que te encheram de ouro, mas que por submergir à sua cultura gastastes tudo quando chegastes à cidade. Depois teus contos do Porto de Manaus, dos estrangeiros que te pagaram bem, dos que te recuperaram a conta bancária, que te levaram por viagens pelo Atlântico, mediterrâneo e Pacífico em barcos brancos e limpos alguns dos quais ainda te recordas às gargalhadas. Tua mala era cheia de pedras nesse tempo, já que não tiravas fotos. Tocas até hoje as pedras para lembrares que tens história. Hoje és uma cafetina consagrada, as putas do mundo te respeitam e querem ser que nem tu, eu quero ser que nem tu e vou ser, porque colei tuas manias no colar de pedras que escondi num lugar de guardar segredos, pedras que roubei de ti. Com esse colar imagino governar a casa especial que abristes que abriga tantas putas de tantas diversidades de cores e línguas. Te irritas comigo porque nunca quis ser uma das tuas putas. Não aceitei teu convite porque sou empresária do meu próprio corpo e não suporto chefes. Tu só podes ser minha mestre por minha escolha, mas a qualquer sinal de submissão às tuas ordens, te desobedeceria por pura impaciência de ser mandada. O melhor de ti está no copo, quando me falas taquílala, da coleção de toques que ensinas para tuas putas, das mulheres incríveis que tivestes como freguesas com as quais aprendestes a fazer amor lésbico com quem quer que seja. Tu me dizias: puta não têm essência. Isso me frustrava. De algum modo grudei em ti para que me mostrasses a natureza da prostituição. Havia de ter algum lugar onde se justificasse a existência desse ser para o sexo. Encontro Madalena em todo seu apedrejamento e seu perdão, encontro Pomba Gira em suas sete versões, suas sete saias e seus sete maridos, encontro Afrodite com sua belicosidade e sua sedução, mas daí não conseguia pensar a relação disso tudo com o capital. A barganha, a moeda de trocas. Tu me confundia, me confundes. Tu costumavas me chamar de careta quando te perguntava como funcionava teu argumento pró-prostituição diante do movimento anti-capitalista, dizias: prostituta existe em qualquer sistema, comunista, capitalista e qualquer outro. Fizeste eu entender que as putas estão entre as coisas, os sistemas, os poderes. As putas não tem nacionalidade e tão pouco gostam de guerra, elas estão entre as coisas, entre os bares, entre os partidos políticos, entre as guerras. Não porque as putas não tem senso de política, mas porque não vêem sentido de demarcar de forma truculenta nem os corpos nem os territórios. Por isso a violência, o estupro e a violação a uma puta é sempre demonstração gratuita de um ódio a liberdade, porque se tens acesso ao corpo não precisas tomá-lo à força por pura idiossincrasia territorialista, é um dos outros terríveis paradoxos – território, posse, invasão, destruição, morte na cruza com o corpo – . A violação a uma puta é sempre menos inteligível apesar de se equivaler no horror a qualquer ser violado. A puta opera num entre a vontade de propriedade e poder e a vontade de nomadismo e liberdade, ela sustenta o paradoxo na sua prática diária sem defender nenhuma ideologia. É o ente do entre, doente de civilização, mas de modo nenhum sua doença. A entrada na prostituição é uma aclimatização e não uma escolha. Uma escola e não má educação. Diante dessas descobertas sobre ti, sobre mim e todas as outras, me encheste a cara com tua baforada e me repetiste: careta! Como tu é careta!!! De novo em busca da essência e todas essas qualificações que grudam em mim. Tira essas idéias de cima de mim, parece discurso abolicionista ao contrário. Tirar a idéia de decadência, de doença da civilização, da sensação de morte que carrega a puta é tirar seu echarpe, seu óculos escuro, seu charme. Não há nada de problemático no flerte da puta com a imundície e devassidão, tu dizias. O que está errado é esse amor ao plástico e às plásticas, na cara ou no museu. É o horror à vida sem ideal, o medo de perder o grande sentido da riqueza, da idéia e da limpeza. Uma coisa tá atrelada à outra. Ninguém nasceu pra ser puta, nem bancária, nem empresária. Todas essas escolhas são alinhavos, aconchavos, suturas, repetições dentro de um contexto maior que não se restringe econômico mas está cheio dele. Não se restringe às territorializações, mas está cheia delas, não se reduz a sobrevivência da mulher ou do michê, mas tá cheio disso também. Não vais encontrar essências, vais encontrar linhas de contato, algumas que fazem gozar. Sim, eu entendia, mas faltava dados. A ontologia que eu falava era sem cabimento, você não captou minha busca pela ontologia da puta, eu disse, e me coloca essas ataduras todas para me atazanar a vida, sua puta! Porque tu é puta? Como tu é puta? Para que? Eu perguntei a ela, já frustrada com minha própria insistência e com a sensação de ineficiência por não conseguir garantir um lugar para mim na mitologia, na ancestralidade. Gueixas, me ajudem! Quem as fez gueixas? Foram os homens sedentos de mulheres fáceis e sem moral? Foram vocês que se mostraram sedentas? Há uma dose de enlouquecimento nessas aclimatizações, eu dizia a essa puta velha na minha frente que achava minhas histórias ingênuas e de pouca relevância. Perto das suas experiências, todas minhas dúvidas e experiências eram por demais infantis, burguesas e até saudáveis. A aclimatização primeiro eu dizia, seguida de profunda imersão, depois as conseqüências, as marcas, e por vezes completo afogamento, quando perdes a vez da saída, ou quando te faltam senhas para a fuga. Mas é sempre o outro que te diz o que tu significa, seja com gestos, palavras, acolhimentos ou rejeições. Em última instância, puta é só palavra eu dizia. Ela dizia, puta é palavra abusada de sentido, que escarifica o corpo, mas também é reconhecimento. Sim, porque quando te tornas puta, estás num rio lotado de putas, e nem todas têm tempo para essa elaboração toda. Eu sei, eu disse, as vezes me sinto mal por não ser suficientemente prostituída, e fico com essa imagem de puta mito. É como se eu não tivesse mundo. Mas aí tocas num ponto muito interessante, dissestes, a puta é alguém que cola no mundo alheio, é uma parasita, uma sanguessuga, uma chupa cabra, ela se alimenta da diversidade de mundos, estar antenada no corpo do outro para viver suas fantasias, é trabalho árduo, trabalho de feiticeira, tem que estar atenta ao desejo alheio com o fim de sustentar essa fantasia, e tem mais, de garantir liberdade para o cliente para não construir um ambiente de repressão, se fazes isso muitas vezes por dia, isso se torna muito fácil, essa leitura do corpo. Então se trata sempre de aclimatização, eu repeti, ela disse sim, e de muita paciência. Chegamos a conclusão que ser puta é um clima, um jogo de palavras, uma necessidade, um estado passível de ser acionado, atualizado, upload, devir, uma radicalidade. Esse clima, no entanto, é sempre cercado de preconceito, o olhar sobre a puta é o que mantém esse isolamento ideológico tantas vezes atrelado a violência. Sorris quando falas que por mais arriscado que seja trabalhar nas ruas, existe uma relação que se estabelece com o espaço urbano, com os bares, hotéis, polícia, traficantes, turistas que é riquíssimo, cheio de relações e vizinhanças, enquanto dentro de uma casa de prostituição evidencia-se mais fortemente as hierarquias, os horários, as funções são mais prescritas. Liberdade ou segurança? Uma certa loucura da puta na rua. Eu tenho medo das drogas, dissestes. Depois de quatro vezes no pronto socorro com princípio de overdose por excesso de cocaína, fiquei ressabiada. Muita droga, muita bebida, muita inconsciência, muita destruição. Sonho com uma prostituição mais limpa agora, apesar de ter certeza que isso é um desserviço para a base experimental do ser humano que se dedica as práticas do sexo profissional. Ahahah, eu gargalhei, tu realmente acredita que prostituta é uma profissional? Ela disse que sim porque tudo que existia dizia respeito a especialização, e se as putas não exigissem esse direito, alguém o reivindicaria, como as travestis prostitutas. Daí tocamos num assunto caro para ela, as marcas que trazia nos braços e nas costas em função das brigas por território urbano entre elas putas e as travestis em quase todas as grandes cidades que morou. Aquelas travecas se juntam e nos expulsam aos pontapés das ruas que tradicionalmente sempre foram nossas. Essas brigas já colocaram muita gente no hospital, ela disse. Mas eu sou faca na bota, eu remexo minha bolsa que sempre carrega uma pedra aguda, sabes bem, comigo não tem dessa de repressão gratuita. Se bem que uma das minhas melhores amigas é travesti, e eu já ensinei muitas dessas bixonas a mexerem bem o rabo, do jeitinho que eu gosto, porque afinal peito junto com pau é uma conjunção cósmica, para isso sim tu vai achar bastante mitologia, peitos são sagrados! E terminou o assunto por aí mesmo. Eu disse: afinal se puta não tem ontologia, pelo menos deve ter alguma ética. Ética pra mim, dissestes é meter o braço no cú do marido das outras, mas se se meterem com macho meu, bolsa-de-pedra na cabeça. Dei um sorriso assustado e falei, mas que ética é essa? Não existe nenhuma concessão à coerência? Coerência é papo de político fia, é conversa dos defensores do trabalho, família e propriedade, com a gente não tem nada dessas coisas não. Defender coerência é defender o indefensável. Essa busca de ética sua é de novo busca de essência, puta não tem essência, já te disse. Mas existe uma coisa que não é bem prostituição e nem tão pouco coerência com o desejo sexual. É um entregar-se aleatório para qualquer figura que se encontra na noite, na boate, um vício de trepar e como isso é insustentável, exige gastos com bebidas e drogas, acaba-se de algum modo cobrando-se para isso, nem que seja o direito à consumação. Essa é uma das entradas possíveis, dissestes, têm muitas outras. Muitas. De qualquer jeito não é possível separar essas entradas em categorias de classes sociais ou culturais. O lance é muito mais sujo e bastante óbvio. Quando a mulher reclama que foi tratada como prostituta, o que ela quer dizer? Suponho que quer dizer que se sentiu usada e que homem trata puta desse jeito. Mas pelo menos elas tem alguém a incorrer, alguma explicação, alguma comparação, algum subsídio subjetivo e cultural que dê conta do sentimento; mas o que falar da puta que se sente assim? Ela vai dizer que o homem tratou ela como puta, ou seja, como ela mesma? E isso por acaso lhe daria algum tipo de conforto? Sempre há saída, seja pelo riso, seja pelo esquecimento. Dissestes.

2 Comentários

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2 Respostas para “PUTA ONTOLÓGICA

  1. ailton

    Gostei muito,a realidade de quem e puta e isso e não e motivo para vergonha pois somos a base que sustenta essa sociedade cheia de moral, tapas na cara do mundo.

    Beijos

  2. Pervaaaaaaa!!!!!!!!!!!

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