Pedido de textos sobre compartilhamento de privilégios

Pedido de textos sobre “Compartilhamento de Privilégios”

Se quiser mandar pro esquizotrans, a gente publica!!  esquizotrans@gmail.com

Ontem (31/3/2016)  durante o “Não vai ter Golpe” aqui em Brasília tivemos uma discussão eufórica sobre essa questão das “mulheres brancas” que tem levado sucessivas malhações por causa do seus privilégios e protagonismos. Eu cheguei a uma conclusão, e não é de agora, que está faltando mais textos generosos, pedagógicos, que expliquem como esses privilégios e posições protagonistas podem ser compartilhados, multiplicados. Como podemos usar nosso espaço de fala e de ‘poder’ para dar lugar para que outras protagonistas, mulheres de outras etnias e mais vulneráveis ao racismo e ao preconceito possam amplificar o seu lugar de enunciação? Sei que isso não se refere somente as mulheres, mas aos homens também, e a todos que tem privilégios.

Não concordo que o protagonismo das “brancas” deve ser silenciado, muito pelo contrário, vemos como a primeira presidenta mulher desse país não consegue governar, e apesar de todas as questões políticas e polêmicas e traiçoeiras que envolvem seu governo, podemos ver o quanto ela particularmente é atacada constantemente com propagandas misóginas, machistas, e o quanto deve ser difícil negociar com aquele bando de raposas velhas do Brasil colonizado. A luta das mulheres brancas ainda não equalizou nem os direitos nem os poderes.

A violência é uma linguagem, e eu particularmente, como meus amigxs e inimigxs bem sabem, sou adepta. É com muita violência e intransigência que abro meu próprio caminho, então compreendo a linguagem da violência, da vingança, da revanche. Mas por outro lado, minha experiência ao longo desses 40 anos tem mostrado que quebrar as pernas dxs aliadxs é um grande tiro no pé. Não se destrói quem está do seu mesmo lado no campo de batalha.

Viver num país racista e extremamente violento é problema de todxs nós, e não consigo entender quem se sente confortável em viver num lugar de tanta desigualdade e tanta subjugação. Talvez com a história dos raivosos verdes e amarelos na rua, consiga entender um pouco melhor.

Eu sei que parece ingênuo o que tô falando. E me sinto idiota em ter que fazer esse pedido. Até porque imagino que o protagonismo das mulheres negras/e outras etnias devem vir delas próprias, e elas devem abrir caminhos do seu próprio modo. Não precisam pedir espaço, nem fala para quem quer que seja, elas precisam abrir espaço do jeito que lhes dá ganas. No entanto o assunto é complexo. Como esses eventos de constrangimento e agressão tem crescido, e por eu ter sido alvo, várias vezes, desse tipo de malhação: “O que vc mulher branca pensa que é para falar universalmente”? Baixa teu facho!! E isso vem de homens também aliás, em muito maior número do que propriamente de mulheres ativistas de outras raças, o que nesse sentido deixa muito evidente que estou longe de abrir mão desse espaço. O que espero então, é que a gente invente outras coisas aqui no Brasil, para além do feminismo racial americano. Que fica ditando qual é a última moda na luta de raças.

Vejo nessa linguagem violenta contra as “mulheres brancas” um pedido de abre alas, e ele é necessário, mas acho que os pactos e acordos devem ser construídos, para que a raiva e o ódio não acabe por montar mais uma luta racial, ao invés de tentar ir transformando essa realidade, na medida em que podemos. Porque se for guerra por guerra, daí nós vamos nos digladiar, por que só tem guerreira pra todo o lado. É todo mundo guerreira aqui e também cheia de raiva. SAI DA MINHA FRENTE!!!! Chega de voadeira que vai ter brutalidade, e vai voar braço e perna pra todo o lado.

De modo que, fica aqui o pedido explícito de que venham esses textos, pedagógicos, explicativos (NÃO AMERICANOS, PLEASE) de como o poder social das “brancas” podem ser espaços de multiplicação para outras vozes e protagonismos. E o que temos que fazer para usar esse poder para abrir esses espaços de mais protagonismo de outras raças. Por enquanto é isso!!!!

Se quiser mandar pro esquizotrans, a gente publica!!  esquizotrans@gmail.com

Fabiane M. Borges

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