esquizerda

Empire: what does it mean to work in an errorist manner?

can you send examples from the handbook of esquizotrans pornography?

what is the ‘esquizerda’ (the esquizoleft) ?

what does the organization of trans or esquizoleft community look like in brasil?

Esquizotrans: One of the pervasive ideas of the esquizerda is that of proliferation.

We want to be on the side of overbeing, of the excesses, of what escapes borders and containers.

One can find here a commitment to an ontology of potencies, an ontology of items hosting possibilia.

We model our political outfit on provocation, on seduction, on friction; we are interested in queer, in movements of displacements, in all sorts of recombinations.

The world is full of materials, speeds, intensities and forces to be recombined, displaced and made queer.

In fact, we assume that there should be no room in politics for hating the world and we take esquizerda to be scarcely about bottlenecks, fences or passwords – it is rather about a confederation of what goes overboard. Not about inclusion but about the unfitting – finding ways, whenever possible, to make it fit even less.

We are to the left of any established power – including that of the individual consumer, the money-holder and the property-owner. We take property to be a bottleneck – we hold that to proliferate is to flow.

We also take a stance against the image of people as subjective monarchies where a crowned king reigns over the land (the body, the desires, the potencies, the superfluous items that could be the building brick for new singularities).

Our bodies are more like platforms for different magic happenings and character that flow through us – we are made of the stuff Santeria houses are made of. We tend to engage in favor of seeing a body not as a property of someone, but rather as an assemblage of singular potencies.

The attempt to bring experience to the reach of the body has been our daily challenge; as much as to broaden the perception of bodily signs that find no place in the matrix of intelligibility.

We celebrate the strange human movements that are not organized in rallies or demonstrations, nor in unions but that insist in performing some gestures that fail our gaze forged in a logic that never had room to everyone and perhaps will never have as much space as there are singularities.

We don’t do much of some traditional values of the pre-esquizo left – such as equality among all people: people are holders of diversity and in order to flow need different opportunities.

The slogans will be something such as: let it flourish, let the inspiration take place, let what is coming up conspire. A favorite 68 graffiti: “être réactionnaire c’est justifier et accepter la réforme sans y faire fleurir la subversion”.

To mention some crucial issues very briefly: we want to find ways for our lives to flow and proliferate more than capital – even though we sometimes are under the impression that we are to eventually go hand in hand with it. Try not to go against it but rather in different speeds – slower or faster than the way it flows. Or try to use its energy to promote other fluxes.

The esquizerda naturally considers error as part of the endeavour to proliferate. Against the judging of action in terms of its ends, it promotes error and celebrates the errorist international. Life and error are intertwined sisters in arms.

To work in an errorist manner is to allow action to go together with thought, to enhance it, so to speak. Instead of planning everything, let the action take its course: subversive performance is about the courage to challenge, even the courage to challenge the idea that a (specific) end is to be attained.

Errorism for us is also seizing the moment: not much rehearsal – let jam sessions do the jamming.

We have been promoting events that mix together issues such as: queer, free software, noise, electronic music, river-bed washing songs, media activism, urban activism, prostitution. We try to create environments that could intensify some singular variations… and we can call this schizo-analysis… bring these discussion to the realm of unfitting experimentation through all kinds of human and nonhuman machinery in order to amplify, intensify, propagate and promote some immersion in a noisy environment. We take noise to be crucial – an element of our reflections on democracy.

Our next events are going to make noise still more central. Our past actions involved events with homeless people in São Paulo, within the struggle for abolition of mental health institutions in Brasilia, related to indigenous prostitution in Manaus (the Amazon), in Eroticomia in Rio, promoting Balleckett dance in Feminist gatherings, being part of submidialogia and ETCETERA/BR in Bahia. In all these cases, we experimented with the ideas of immersion, collective production and micro-schizo politics.

We are trying to do some of what we mentioned in the handbook of esquizotrans pornography. It is mostly about intersex and transsex eroticism – queer and cybergendered. It is being written in Portuguese, and we enclose below a fragment based on a case that Butler describes and considers in her Undoing Gender.

Finally, about the movement in Brazil. We are starting something (hopefully) that has some echoes in the queer movement and within some feminist circles. We currently have a column in the Monde Diplomatique – Brazil. We fancy ourselves a renewal of the new left, our emphasis is often on subversion: we take subversion as capable of being as pervasive as capital. Let it spread.

Fragment of the handbook of ST porn:

Nem gostava de brincar de bonecas – mas apalpava elas, as esfregava na genitália, queria comer elas todas, enfiar alguma coisa gigante em algum buraco escondido delas e faze-las dar gemidinhos. Nem gostava de brincar de metralhadoras, apenas apalpava cada uma delas entre as pernas querendo que aquela força metálica, aquela solidez firme, aquela capacidade de ser mau elemento estivesse enfiada na sua boca ou em algum buraco escondido entre suas pernas – algum buraco que nunca soube para que serve. Com oito meses aconteceu-lhe uma fimose pelo caralho e algum profissional de branco o descaralhou em oitenta porcento. Mãe e pai, vendo a abjeção solta entre as pernas de David, sairam catando profissionais de branco. Primeiro veio um homenzarrão aberrante com os cabelos delgados e ofereceu, como quem oferece chocolates a uma criança, uma vagina completa; e ofereceu com sua parca psicologia dos pré-adolescentes – algum manual mal lido nos tempos de escola deve ter sido tudo o que o John Money deixou penetrado pela sua cabeça acerca os rostos com espinhas – ele ofereceu uma vagina completa:

– Você vai poder ser mãe com esta vaginona, vai poder ser uma mulher de verdade, sem receios, ter uma família e um homem pra chamar de seu…

– Eu prefiro não.

Money chamou mesmo o irmão gêmeo de Brenda ou de David e pediu que ele ficasse em uma posição de quem estava comendo uma buceta imaginada entre as pernas do irmãozinho. A irmãzinha, e seu parceiro que deveria enfiar a tal trosoba, ficaram tremendo, assustados, tremendo, sem respiração. Money chamou uma legião de beduínos sexuais para mostrar a importância de ser mulher com toda sanha, toda biologia. David, embaixo de Brenda, pensava: é só o que eu tenho entre as pernas que é digno de amor? Sou um perdedor.

– Eu prefiro não.

Brenda disse que não punha xoxota – mas assim, no meio entre o que entra e no que entra não dá pra ficar; os pais trataram de encontrar um jeito de eliminar aquela genitália sem órgãos. Levaram Brenda a um outro hospital, outro avental, outra teoria geral acerca da cabeça, do púbis, da casinha e do carrinho: Milton Diamond disse que punha pau em Brenda e ela poderia brincar com suas escopetas de plástico sem destoar. Meto pinto na menina, Diamond disse, e ela fica como veio ao mundo antes de ser fudida pelo primeiro médico. Um pau pra Brenda, ele anunciou, e David, com os olhos espremidos:

– Eu prefiro não.

É o que é natural para David, veio loquaz um doutor, Colapinto: com o pinto nela, ela volta as suas origens, a como a Mãezona Natureza, colossuda, cheia de planos, a fez. Colapinto dizia que foi cruel, cruel tentar meter uma cabeça de menininha na Brenda só porque ela não tinha mais o membro – membro se contrói, ele fazia, cabeça ninguém contrói. Uma vez que David nasceu David, não adianta tentar vesti-lo com cuequinhas rosas, uma menininha não se constrói. Puseram um falo na Brenda:

– Eu prefiro não.

Nos errantes da vida, estas calamidades se aceleram com uma trouxa branca para a morte com um negrinho escondido embaixo dela. Chegou quem você esperava – agora é só se recompor. Ajeita o cuecão, enfia a calcinha no rego; faz de conta que você não é abjeto, é naturalmente homem, mulher ou calango. Não fique plácida, ajude a revisar todas as notas comparadas do DSM-5 como se fossemos feitos de órgãos em bom funcionamento.

– Não.

Uma resposta para “esquizerda

  1. mbraz

    hei, hi, pt-br pls! Este texto é bem poderoso para estar em apenas uma língua.

    bjss
    m_left_braz

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