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Não há princípios. Não há princípios?

Em um fragmento recentemente descoberto, diz Heráclito, o obscuro:

Escuto falar bastante da natureza como um baú de coisas prontas – como se a ecologia tivesse expulsado a physis. O discurso ecológico é também um discurso imperial – proteger as baleias, e nós decidimos quantas? (Quantos lobos devem continuar existindo? E quantos micos? Quantos pandas? Mas quantos ratos? Quantas baratas? E quais?). A ordem ecológica é uma ordem imperial – em nome de um equilíbrio archétípico. Uma ordem imperial, e não um mandato despótico. Muitas partes do que tanto se chama de natureza des-põe o equilíbrio ecológico. Ao invés da physis, a oikos – a casa que precisa estar arrumada, a casa que tem uma maneira de estar arrumada, que foi feita para estar arrumada. Uma oikos logia, uma oikos nomia: haverá uma mão invisível pairando acima de todas as coisas, capaz de criar, de balancear, de regular tudo. Nós apenas podemos dar uma mãozinha a essa mão de ferro invisível. Em um império ecológico podemos nos sentar ao lado da natureza, transmitir suas leis e atuar assim como um vizir. Entabulamos uma ordem secreta superior e, como os sacerdotes, temos um selo de aprovação dos céus. […]

Como pensar então a ecologia, o ecofeminismo, o equilíbrio ambiental. Salvo as baleias porque quero que elas persistam? Ou nem isso? Michelli aposta de soslaio em uma literatura ecoqueer; por exemplo:

http://www.lespantheresroses.org/textes/ecology_toward_a_queer_ecofeminism.pdf

http://www.rochester.edu/in_visible_culture/Issue_9/issue9_sandilands.pdf

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Já uma biografia, precisa de identidades?

http://ai.eecs.umich.edu/people/conway/LynnsStory-Portuguese.html

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