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pedro da “solange tô aberta” tira terço do cú.

Em Salão de Artes de Natal, performer tira terço do ânus
Por William Magalhães/ Foto: Joto/Revista Catorze 19/3/2010 – 14:03
Uma performance realizada no 13º Salão de Artes Visuais de Natal na última sexta-feira está causando uma polêmica na internet e no mundo das artes.

O cientista social e artista Pedro Costa, atual único membro do grupo Solange Tô Aberta!, ficou nu em frente ao público e, de quatro, tirou um terço do ânus.

A performance foi filmada e está em exibição na galeria Newton Navarro da Funcarte. O rosário também está em exposição. A mostra fica aberta a visitação até 30 de abril.

Em entrevista ao site A Capa, Pedro comenta a repercussão da performance, diz o que pensa sobre o papel da arte e ainda fala sobre o futuro do Solange Tô Aberta!.

O vídeo já está no youtube?
Não, o vídeo não está na internet e nem tenho previsão de quando estará.

De onde surgiu a ideia da performance?
A ideia surgiu a partir de um show da Solange tô aberta! que foi realizada no “Dia do Índio” em Salvador. Eu comprei uns terços e, na hora do show, tirei um do meu ânus. Só que, no calor e na vibração do show, o trabalho se confundiu com as luzes, fumaça, figurino, música etc. Então pensei conceitualmente e refiz a performance de forma pontual, com a nudez e o ato em si. Percebi que era uma ação “simples” mas poderosa.

Que tipo de reações você recebeu e está recebendo?
Hoje [quinta-feira 18/03] dei uma entrevista para a televisão. O repórter vai entrevistar, também, um líder religioso (provavelmente um padre da igreja católica) e especialistas em arte contemporânea. Sei que há riscos de fortes reações. Leio na internet algumas coisas (opiniões de pessoas que leem as matérias) mas nada com um fundamento crítico para poder dialogar. Bem, entraram no meu orkut e mandaram eu enfiar um abacaxi e depois chupar… eu pensei, pensei… mas não posso roubar a ideia das pessoas (risos). Até pensei em enfiar um ananás que é mais grosso e mais doce (risos), mas desisti.

Como seus amigos e parentes enxergaram a performance?
Os amigos acharam-na muito forte, direta e objetiva. Entenderam a ação e admiraram a coragem e a ousadia. Ficaram muito felizes e, até hoje, estão em estado de êxtase com o trabalho. Os artistas daqui, que tem uma carreira na arte contemporânea, viram que a entrada e a realização dele no salão de Natal foi de extrema importância. Apesar de muitos salões e espaços terem o nome de “contemporâneo”, quando você faz uma proposição como a minha, percebe-se que, no fundo, é só o nome. E com o conhecimento, experiência e sensibilidade dos curadores convidados foi possível realizá-la e a Funcarte, aqui em Natal, não a vetou. Meus parentes inicialmente ficaram preocupados com meu ânus (risos). Mas, agora, estão preocupados com alguma reação negativa que possa me atingir diretamente.

Desculpe a pergunta incômoda, mas como você fez pra enfiar o terço no ânus?
Fiz a xuca, passei KY, e fui enfiando devagar, como bolinhas tailandesas…

Há pessoas que não entendem de arte, mas quando veem um trabalho como o seu gostam de opinar e criticar. Por que isso acontece?
Acredito que seja porque cada pessoa tem a sua leitura de mundo e muitas delas se sentem instigadas a expressá-las. Isso acontece em relação a tudo. Mas o debate conceitual sobre a obra, no meu caso, existe mais comumente no meio de artistas e curadores.

No ano passado uma escritora fez uma peça com um Jesus transexual. Mais recentemente uma exposição na Espanha foi cancela porque lançava um olhar gay sobre Jesus. Por que parece haver uma fixação da arte contemporânea com as questões ligadas a religião?
No Brasil temos o caso da Márcia X que háa alguns anos, com a sua imagem do terço em forma de pênis, foi barrada no Centro Cultural do Banco do Brasil em Brasília. Isso foi ótimo no sentido da mobilização dos artistas a favor da exposição da obra e em todas as questões que nos fizeram pensar criticamente. Qualquer religião envolve tabus, interdições, crenças fortes sobre o que se pode e o que não se pode fazer. Há valores morais envolvidos e, mais ainda, ditaduras sobre corpo, sexo, comportamento. Geralmente a instituição religiosa se torna um impasse entre o desejo das pessoas e a ética que ela aplica. Nisso, resultam conflitos, desde os internos individuais até as guerras.

Então religião também é um tema político a ser trabalhado. E arte contemporânea possui essa característica de questionar as relações de poder e da privação da liberdade de escolha. É dessa forma que eu enxergo. Necessito citar dois ótimos artistas que, assim como eu, tiveram seus trabalhos sobre sexo e religião realizados. É o caso do documentário “Bombadeira” do diretor Luis Carlos de Alencar (BA) e do trabalho de Marcelo Gandhi com velas em forma de pênis e terços, que o registro fotográfico faz parte do “Acervo em Movimento”, do Museu da Pinacoteca do Estado (RN). Ambos publicados com o apoio do Ministério da Cultura e outros órgãos importantes do país.

Você é religioso?
Sim. Sou espírita umbandista. Uma religião que nasceu no Brasil, com a influência direta da força indígena e da força africana e do kardecismo, e que não trabalha com a matança de animais. E também me considero pagão. Mas nada disso me impede de fazer ou ser nada.

Pra você qual é o papel da arte? Chocar, questionar, embelezar?
Fazer pensar sobre as questões atuais. Lógico que eu sou fruto de uma época e da minha história de vida. Mas, para mim, a arte tem que causar algo no corpo de quem vê e de quem realiza e, também, levar a uma confusão mental que leva a refletir. Arte é crítica, ou seja, põe em crise. Por isso artistas podem ser tão perigosos…

E o Solange Tô Aberta? Como está a banda? No ano passado vocês fizeram uma turnê na Europa. Quais são os próximos passos da banda para 2010?
Em primeira mão, te falo que apenas eu estou na Solange Tô Aberta! atualmente. O projeto está em off, se reformulando. As mudanças, obviamente, acontecerão e tudo indica que novos integrantes estão por vir, se aceitarem o convite. Se não, será uma “one queer band” (risos). As novidades virão no segundo semestre desse ano. Te deixarei informado de tudo 😉

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sobre: solange tô aberta

solange-to-aberta-2

Queridos!
Essa cidade não cessa de nos apresentar seu vigor,
reinventando
movimentos culturais e investindo tão fundo no seu cerne que o
insustentável se nos apresenta sólido. É assim o funk dessa
cidade,
esse funk confronto, que de tanto cantar o senso comum dos
gêneros
sexuais, esvazia-os de si mesmos e torna-os mero discurso
hiperbólico.
É por sua definição mais tosca e sexista que percebemos o
fracasso do
heterossexualismo. O desejo quanto menos categórico e mais
categorizado tende sempre para fissura. Da definição, o
desejo é
sempre o corte. Mesmo no funk, em que a virilidade fálica
insiste em
através do discurso confinar atuações, insiste em
psicanaliticamente
afirmar o poder do pau, o poder do pai, mas é também justo
por isso
mesmo que escorrega e quanto mais duro tenta, e o funk tenta
(!),
delimitar quem pode o que, mais as pessoas não se deixam
capturar.  É
que o fascismo sexistofálico é tão absurdo que o próprio
discurso não
consegue de todo afirmar o seu sentido direto. Nem por isso
ele está
livre de problemas, nem por isso o funk é um movimento que
traz em si
esta própria consciência reflexiva. Quanto menos se pensa
nos limites
mais se acredita neles. Assim não garanto que o funkeiro
macho-sexista
percebe que cantar sua superioridade fálica heterossexual é
pertencer
ao fechado circuito homossocial. Ele goza sem querer
perceber que o
gozo do discurso é dirigido ao seus parceiros – como eles
chamam aos
amigos. O funk que cantam é um confronto em que um mede com
prazer o
pau do outro. transformando o homoerotismo numa prova
competitiva e
esportiva. E na verdade, não tenho nada contra quem tem
fobia do homo-
e preferira o hetero-. Mas para afirmar a vivência do
hetero- há de
ser estratégico e fazê-lo direito. Há de se largar o
homossocialismo
fálico e fazer-lhes agüentar suas pregas sujas inerentes a
todos nós.

Aí não adianta a bravata irônica e infantil de lacraia, nem o
sapateado velho oeste de pula viadinho. Há sim que se jogar no
queerpunkfunk e com eles gozar de todo fracasso. Há de se
começar
reenquadrando o viril, como Pedro e Paulo, de Solange Tô
Aberta. No
palco os dois jogam no lixo qualquer sex appeal para o outro
de
gênero. Tudo é mais embaixo, e concreto. O “cu é um buraco,
que todo
mundo tem. ( e até o papa tem)” O comportamento viril é aqui
o de
estar pronto para qualquer parada. Adoraria poder usar a
palavra
disponível, como se eles estivessem disponíveis para o que
der e vier,
mas pensando neles isso pareceria puro romantismo, e
assumiria uma
conotação muito pouco agressiva, o que definitivamente não
lhes é o
caso. O estar pronto significa aqui friccionar tenazmente em
todo o
contato. Se tudo é mais embaixo é por que tudo tem peso, e
não há
sublime possível – e talvez justo por isso surja-nos o
sublime, de sua
própria inadvertência. Eles falarem do cu não importa só por
fazer do
passivo motivo orgulho – afinal isso já vislumbrava-se desde
as
apropriações queer dancings de Tati quebra-barraco e Dayse
da Injeção.
Saber usar o cu é fundamental, pois deflagra que não é da
virilidade
ser monumental. A grande ordem não é a do fálus, menos ainda
de onde
lhe falta.  Há uma troca da forma pela força que impregna
também o
discurso.  A polaridade biológica macho-fêmea importa menos
como polar
e mais como cheiro. Solange Tô Aberta é a sujeira de
gêneros, essa
indefinição de formas, o buraco negro de sentidos. O
homossexualismo
com Solange é o fracasso. Talvez seja esta a maior potência
de seu
cantar sofista. Elas cantam o fálico apropriando-lhe com o
cu. É o
funk machista, é a música de Rodeio, é a chupação de uva do
forró, e o
funk pós-feminista. Nada ali, é mais sobre o pau e a xoxota,
ou sobre
a xoxota como o pau-em-falta, mesmo que Solange os cante nas
letras –
o que é até melhor, pois que besteira seria negá-los.  O que
importa é
mesmo o cu, instrumento de voz, órgão que entona o discurso
de Solange
Tô Aberta. Eles metem sim no cu do Freud como bem cantam. E
metem
dentro, de verdade, não é metáfora. Só que metem nele com o
que resta
dele, o seu discurso. “O cu é um buraco que todo mundo tem”,
e como um
buraco está ali para transar formas e não para ser a forma.
O buraco é
só campo de forças. ele trava, ele quebra, ele expurga, ele
recebe,
ele não define. Ao mesmo tempo, é em “o cu como um buraco
que todo
mundo tem” que entendemos a grande política contemporânea.
Não é mais
um caso de maioria, mas sim um caso de unanimidade, e ela
por si só
não resolve nada, mas deixa todo o resto a ser resolvido. Todo
discurso em prol do igual perde força, o homo- diminui, o
que importa
frente a ele é sempre o hetero-, a heterodoxia.

dois exemplos do youtube:

CUCETA
http://www.youtube.com/watch?v=MW0Bql65L5Q&feature=related

FUDER O FREUD (gravado por Moana Mayall na feira da Glória
durante o
La Rica de independência)
http://www.youtube.com/watch?v=qcDwdkeFYUM

Mas é tudo muito melhor ao vivo!
Beijos,
Felipe ribeiro RJ

pedro-e-paulo1

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